quinta-feira, 29 de outubro de 2009

A GRANDE COMISSÃO: SUCESSO OU FRACASSO?

A quem foi dirigida a Grande Comissão? Essa pergunta tem dividido os cristãos em dois grupos:

Primeiro os que acreditam que a Grande Comissão foi dada aos apóstolos originais e por eles cumprida e que não se aplica diretamente a qualquer pessoa que veio depois deles.

Segundo os que argumentam que a Grande Comissão se aplica à igreja toda onde e quando existir.

Ellen G. White apóia o Segundo grupo. Suas palavras são:

“A comissão dada aos discípulos também nos é dada a nós. Hoje, como então, um salvador crucificado e ressuscitado deve ser exaltado perante os que se acham sem Deus e sem esperança no mundo. O Senhor pede pastores, mestres e evangelistas. De porta em porta, têm Seus servos de proclamar a mensagem de salvação. A toda nação, tribo, língua e povo as novas de perdão por Cristo devem ser levadas (...) O mundo necessita ver nos cristãos uma evidência do poder do cristianismo. Não somente em poucos lugares, mas em todo o mundo são necessárias mensagens de misericórdia” (Serviço Cristão, p. 23).

Há certo sentido, naturalmente, em que os vários comissionamentos daqueles primeiros seguidores de Cristo tinham aplicação especial a eles mesmos. Em primeiro lugar, somente certos indivíduos podiam ser qualificados para serem testemunhas (At.1:8) no sentido de terem estado pessoalmente presentes durante o ministério, a morte e a ressurreição do nosso Senhor. Esta era uma qualificação especial do apostolado (At 2:21-22). Em segundo lugar, o Senhor ressurreto realmente deu certas pessoas como dons especiais à Sua Igreja – entre elas, apóstolos e evangelistas. Fica aparente, no entanto, que o testemunhar e o evangelizar na Igreja Primitiva não eram confinados Aqueles que foram designados como apóstolos especiais. Entregues ao Espírito Santo, e dirigidos por Ele, os crentes comuns testemunhavam e evangelizavam. Iam por toda parte pregando a palavra.

Os líderes da Igreja primitiva serviam de modelos e também preparavam os crentes para estas tarefas (I Co 4:16; Ef 4:11-12). Se o testemunho da igreja primitiva tivesse sido confinado ao dos apóstolos e dos evangelistas, o quadro do crescimento daquela igreja teria sido muito diferente daquele que vemos no Novo Testamento.

E hoje, por que algumas igrejas não crescem e não se multiplicam como acontecia na era dos apóstolos? Por que a Grande Comissão às vezes parece fracassar?

Creio que são quatro as razões:

1. Ausência do Espírito Santo:
Os apóstolos tiveram três anos de instrução aos pés do Mestre, mas foram testemunhas hesitantes, até receberem a infusão e o poder do Espírito Santo no Pentecostes. Os crentes de após o Pentecostes foram testemunhas poderosas. O ingrediente essencial para o testemunho,é a operação interior do Espírito Santo. Devemos esperar pelo Espírito antes de passarmos a testemunhar. “A presença do Espírito com os obreiros de Deus dará à proclamação da verdade um poder que nem a honra ou glória do mundo dariam” (Atos dos Apóstolos, 51).

2. Ausência de Encorajamento:
O fracasso ocorre quando os líderes da igreja deixam de encorajar o testemunho espontâneo de novos crentes. Há riscos em tais testemunhos, naturalmente. Mas Deus assume um risco com cada um de nós. O que é necessário é o encorajamento que gera confiança. O novo convertido tem uma experiência para relatar. Tem numerosos contatos com o mundo. Nada deve impedi-lo de testemunhar.

3. Ausência de treinamento:
Todos nós temos conhecido certos cristãos que mantêm a espontaneidade e a simplicidade do seu testemunho original no curso de longos períodos de tempo até mesmo no decurso de uma vida inteira. Mas a maioria dos cristãos logo encontra problemas e perguntas provenientes dos descrentes, problemas e perguntas estas que merecem respostas inteligentes e bíblicas. O desânimo e a fuga do campo de batalha podem ser os resultados. Quando isto ocorre, simplesmente receitar o testemunho e desafiar o crente a proclamar o evangelho talvez realize pouco mais do que despertar sentimentos de culpa.

A experiência nos ensina que o líder sábio treina seu povo na conquista de almas e canaliza esse esforço num programa de expansão cristã. A igreja deve ser uma escola permanente de capacitação de missionários voluntários.

4. Ausência de testemunho externo:
As igrejas necessitam de um maior número de membros ativos externamente. A grande parte ativa se limita a testemunhar dentro da própria igreja. São os cantores, professores da Escola Sabatina, pregadores e líderes que se apresentam ao corpo de Cristo. Um número maior de testemunhas deve sair para evangelizar as prisões, hospitais, lares e bairros ou vilas e cidades.

Concluindo, o sucesso ou fracasso da Grande Comissão, dependerá do envolvimento da igreja (pastores, líderes e membros) na missão de evangelizar. Todos necessitam ter consciência da missão. Orar pelo Espírito Santo e encorajar os novos crentes a usarem seus dons na obra de testemunhar é muito importante. O treinamento é indispensável para preparar obreiros que possam atuar dentro e fora da igreja. Nada deverá impedir essa obra de levar homens e mulheres a testemunharem do amor de Jesus Cristo para que Ele logo possa voltar.

Pr. Érico T. Xavier
Distrital em Cascavel e Doutor em Ministério pela Faculdade Teológica Sul Americana

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