domingo, 29 de novembro de 2009

CONTRAFAÇÃO

Desde o alvorecer da história, quando Caim trocou o sacrifício de animais pelo fruto da terra, o mundo vem se debatendo com os malefícios da contrafação. Segundo o dicionário, contrafazer é imitar, adulterar, alterar e falsificar. Não faltam no mercado interessados em adquirir o barato ou o que mais lhes agrada ainda que ao custo da qualidade. Por isso sempre há compradores para combustível adulterado, Cds piratas, eletrônicos falsificados e milhares de outros produtos.

Não é apenas no aspecto comercial que se manifesta a contrafação. Encontramo-la em Jacó tentando passar por Esaú, ou em Labão, trocando a esposa do mesmo Jacó em sua noite de núpcias.

A contrafação foi profetizada por Jesus: “Surgirão falsos cristos e falsos profetas operando grandes sinais e prodígios para enganar, se possível os próprios escolhidos”. Mat. 24:24.
E. White usa em sua maioria, o termo contrafação para descrever o falso reavivamento que Satanás provocará no mundo um pouco antes de Segunda Vinda de Jesus. Podemos chamá-lo de contrafação do poder de Deus.

Há outras contrafações denunciadas pela autora e que merecem igualmente nossa atenção.

CONTRAFAÇÃO DE CRISTIANISMO

“Há uma contrafação de cristianismo no mundo, bem como cristianismo genuíno. O verdadeiro espírito de um homem é manifesto pelo modo como ele trata seus semelhantes. Podemos fazer a pergunta: Representa ele o caráter de Cristo em espírito e ação, ou simplesmente manifesta os traços de caráter naturais e egoístas que pertencem ao povo deste mundo? A profissão nada vale para Deus”. Conflito dos Séculos, pág. 593.

Esta contrafação manifesta-se por um espírito egoísta cujo possuidor parece dizer: “cada um por si e Deus por todos”. Judas é um exemplo disto. (João 12:4-6). Passamos no teste de originalidade cristã quando flui do nosso coração o amor ali implantado pelo poder de Deus.

CONTRAFAÇÃO DO AMOR

Eli é um exemplo desta contrafação: “Seus filhos se tornaram execráveis e ele não os condenou”, I Sam. 3:13. O amor condescendente, visto tanto no lar como na igreja, parece altruísta e misericordioso. Sua filosofia é: “Em nome do amor tudo é permissível” e um Deus de amor é incompatível com condenação e morte. Ellen White chama tal amor de desprezível contrafação.

“Somos admoestados pelo apóstolo: ‘O amor seja sem hipocrisia. Detestai o mal, apegando-vos ao bem. Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros’. Rom. 12:9 e 10. Paulo queria que fizéssemos distinção entre o amor puro e altruísta que é inspirado pelo espírito de Cristo, e a inexpressiva e enganosa simulação de que o mundo está cheio. Essa desprezível contrafação tem desencaminhado muitas pessoas. Pretende eliminar a distinção entre o que é certo e o que é errado, concordando com o transgressor, ao invés de mostrar-lhe fielmente os seus erros. Semelhante atitude nunca promana de verdadeira amizade. O espírito que a instiga habita somente no coração carnal”. Testimonies, V. 5, 169-171.

CONTRAFAÇÃO DA JUSTIÇA.

Para os egoístas a contrafação do cristianismo oferece uma religião de fachada, para os condescendentes a contrafação do amor um Deus tipo Papai Noel e para os legalistas nada melhor do que a contrafação da justiça. Descrevendo a forma como Lúcifer (Satanás) se contrapôs à justiça de Deus, Ellen White afirma:

“O poder condenador de Satanás levá-lo-ia a estabelecer uma teoria de justiça incompatível com a misericórdia. Ele alega agir como a voz e o poder de Deus; alega que suas decisões são justas, puras e isentas de falha. Dessa maneira assume ele a sua posição no tribunal e declara serem infalíveis os seus conselhos. Aqui entra a sua justiça sem misericórdia, uma contrafação da justiça, aborrecível a Deus.” MM. 2002, 11.

Assim como o amor sem justiça representa a contrafação do amor, a justiça sem misericórdia manifesta a contrafação da justiça. Como podemos chegar ao ponto de equilíbrio? A igreja primitiva oferece o padrão ideal:

“Cada cristão via em seu irmão uma revelação do amor e benevolência divinos. Só um interesse prevalecia; um elemento de emulação absorveu todos os outros. A ambição dos crentes era revelar a semelhança do caráter de Cristo, bem como trabalhar pelo desenvolvimento de Seu reino”. AA, 48.

Um grande estímulo à falsificação no mundo atual é a certeza da impunidade. Esse era o mesmo pensamento dos contemporâneos de Malaquias. Por terem uma visão imediatista e materialista, concluíram que era inútil servir a Deus. Felizes, pensavam eles, são os ímpios que prosperam e escapam (Mal. 3:13, 15). Contudo, porque não quer que ninguém se perca, o Senhor abre a cortina do futuro e mostra as conseqüências de nossas decisões:

“Pois eis que vem o dia, e arde como fornalha, todos os soberbos e os que cometem impiedade serão como restolho...de sorte que não lhes deixará nem raiz nem ramo. Mas para vós outros que temeis o meu nome, nascerá o sol da justiça, trazendo salvação nas suas asas”. Mal. 4:1, 2.

Creia, o barato sai caro. Está chegando o dia em que a Receita Federal do Céu destruirá tudo o que for falsificado.

Deus não quer que O sirvamos por medo do ‘fogo de Malaquias’, quer isto sim, que o Espírito Santo nos batize com o mesmo fogo e poder do Pentecostes.

“Com anelante desejo, Cristo aguarda ver-Se manifestado em Sua Igreja. Quando o caráter do Salvador for perfeitamente reproduzido em Seu povo, então Ele virá a requerer os Seus. É o privilégio de todo cristão, não somente aguardar, mas apressar a vinda de nosso Senhor. Estivessem todos quantos Lhe professam o nome dando frutos para Sua glória, e quão pronto o mundo inteiro estaria semeado com o evangelho! Pronto estaria amadurecida a última grande colheita, e Cristo havia de vir”. MM. 1977,110

Que a imagem de Cristo em nós irradie ao mundo uma vida genuína e atrativa!

Pr. Antônio Moreira
Presidente da Associação Central Paranaense (ACP)

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