segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

SEU FILHO VIROU VEGETARIANO, E AGORA?

No novo ano que vai nascer muitos votos são tomados. Um deles é o de cuidar melhor da saúde. Leia esta interessante matéria escrita por Felipe Lemos e publicada originalmente no Blog Ministério da Saúde. Veja abaixo:


"Quando Frank, de 13 anos, virou vegetariano, seu pai, o jornalista Andrew Martin, achou que havia duas explicações possíveis para o comportamento: ou ele queria aborrecer o pai ou queria desafiá-lo, como todo adolescente. O jovem anunciou a decisão de não comer mais carne um dia depois do jantar que reuniu amigos vegan e uma pessoa que havia passado a tarde caçando um cervo e contou em detalhes as estratégias para atingir os órgãos vitais do bicho.

"A primeira reação de Martin, segundo ele conta em artigo no jornal britânico Guardian, foi dizer que o filho não podia se tornar vegetariano. "Não posso ter que me preocupar em cozinhar para um vegetariano", disse o pai, que vem de uma longa tradição de "carnívoros". Ele perguntou, então, por que o menino tinha se tornado vegetariano - se é que havia outra razão, além da de aborrecer o pai. "Não acho que os animais devam ser criados só para serem comidos", respondeu o garoto.

"Não se dando por vencido, Martin preparou a receita de carneiro preferida de Frank para tentar dissuadi-lo. Ao olhar para a carne na panela, o menino disse: "Isso é assassinato, você sabe". Com o fracasso da primeira tentativa, o pai tentou convencer o filho pelo menos a comer peixe e conseguiu usando o seguinte argumento: "Jesus Cristo comia peixe, e eu espero que você não tente alegar superioridade moral sobre Ele".

"A ideia da mulher de Martin, porém, era diferente: vamos ajudá-lo a se tornar vegetariano porque, aí, ele vai se cansar logo. Pensou: é coisa de adolescente. Até que uma amiga do casal contou que seu filho também havia decidido se tornar vegetariano nessa fase e continuava a seguir a dieta 20 anos depois. Segundo a Sociedade Vegetariana, apesar de não haver estatísticas, muitas pessoas param de comer carne justamente na adolescência, quando começam a questionar o mundo em que vivem.

"Com as discussões sobre a relação da carne com problemas de saúde e com o aquecimento global, é ainda mais provável que os jovens escolham a nova dieta, em geral diferente da dos pais. E são os pais que devem se preparar para lidar com a novidade. O médico Dan Waitzberg, professor da Faculdade de Medicina da USP e responsável pela nutrologia do Hospital das Clínicas, esclarece algumas dúvidas que podem surgir na cabeça dos pais quando os filhos decidem deixar de comer carne.

"Acontece de os pais não aceitarem a decisão do filho?Dan Waitzberg - Isso é uma questão de dinâmica familiar. É preciso que haja um ambiente de respeito ao adolescente, que é muito salutar para o desenvolvimento da mente dele. Geralmente o jovem decide parar de comer carne junto com um grupo de amigos na escola. É muito difícil que ele faça isso sozinho. Então a recomendação para a família é entender, porque o adolescente não está propondo nenhum absurdo, e tentar acomodar isso dentro do convívio.

"Os pais devem tentar dissuadir o filho de adotar o vegetarianismo?Não acho que devam tentar. A Sociedade Americana de Pesquisa sobre o Câncer recentemente publicou que devemos ingerir 300 gramas de carne vermelha por semana. O brasileiro come isso num almoço. Uma churrascaria ultrapassa até o limite semanal. E é reconhecido que a ingestão exagerada de carne está relacionada a vários problemas futuros, como doenças cardiovasculares e câncer. Existe também um outro ponto de vista que relaciona a ingestão de carne ao aquecimento global. Tem o ponto de vista de saúde, o ponto de vista social. O que eu friso do ponto de vista da saúde é que a opção pelo vegetarianismo não pode ser encarada de maneira amadora. Ou seja, se a pessoa tomou essa decisão, tem que buscar conselho de nutricionista, de nutrólogo, para desenhar um cardápio diário.

"Existe algum risco relacionado ao vegetarianismo entre adolescentes?Os problemas maiores obviamente vão acontecer com os vegans (aqueles que não comem nenhum derivado animal, nem leite nem ovo), porque as crianças estão numa fase em que precisam de alguns nutrientes em uma certa quantidade que nem sempre é possível obter facilmente pela dieta vegetariana. É possível, mas tem que ter um acompanhamento de um médico nutrólogo, que vai avaliar as curvas de peso e altura, e de uma nutricionista, que vai prescrever uma dieta diária com base na idade, nas atividades e em outras características do paciente. Pode também haver necessidade de reposição nutricional, por exemplo, entre meninas que têm bastante fluxo menstrual. Elas podem necessitar mais de ferro, ácido fólico e vitamina B12. Entre os adolescentes que se dedicam seriamente aos esportes, é também importante observar que eles precisam de mais vitaminas e minerais. Então os cardápios têm que ser bem avaliados e, mesmo que a dieta seja adequada, pode ser necessária a suplementação.

"Existe alguma idade mínima para adotar o vegetarianismo?Os filhos de vegan convictos, por exemplo, mamam o leite materno até mais tarde e, depois, vão começando a se alimentar só com os vegetais. Mas tem que saber muito bem como fazer, com conselho de pediatras, que vão acompanhando e recomendando, também, os suplementos que todo bebê têm que tomar, de vitamina A. O vegetarianista consciente hoje não é um fanático. É um sujeito consciente, que quer manter uma boa saúde evitando os alimentos de origem animal. O ovo-lacto-vegetariano não tem o menor problema porque consegue suprir todas as necessidades proteicas e de vitaminas com a alimentação. O mais delicado é o vegan.

"Qual é o principal desafio para os pais de vegetarianos?Um dos problemas é que é muito fácil falar coma determinados alimentos. O complicado é preparar a nova dieta. A família precisa se reestruturar para suprir as necessidades do filho vegetariano. Não é nada impossível, mas a mãe vai ter que aprender métodos de preparo diferenciados. Talvez os outros filhos não queiram o mesmo e o filho vegetariano vai ter que entender que, na mesma mesa, os outros vão comer carne e outros derivados. Mas com conversa e entendimento, isso é perfeitamente possível."

Felipe Lemos
Jornalista - Divisão Sul-Americana da Igreja Adventista do Sétimo Dia

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