domingo, 31 de janeiro de 2010

A teologia de Tiago: Fé em ação

A Carta de Tiago já provocou muitas discussões na história da Teologia. Uma das principais está relacionada com o seu autor. O prefácio indica que o autor foi Tiago, servo de Deus, e do Senhor Jesus Cristo. Mas no Novo Testamento vários indivíduos tinham esse nome, porém apenas dois foram apresentados como possíveis autores desta epístola – Tiago, filho de Zebedeu, e Tiago, o irmão do Senhor.

Pfeiffer e Harrison assim se referiram sobre o assunto:

O primeiro é um candidato improvável. Sofreu o martírio em 44 A.D., e não há nenhuma evidência de que ocupasse posição de liderança na igreja, que lhe desse a autoridade de escrever esta carta geral. Embora Isidoro de Sevilha e Dante achassem que ele foi o autor do livro, esta identidade não tem sido largamente aceita em nenhum período da igreja. A opinião tradicional identifica o autor como sendo Tiago, o irmão do Senhor. A semelhança da linguagem da epístola com as palavras de Tiago em Atos 15, a forte dependência do escritor da tradição judia, e a consistência do conteúdo de sua carta com as notícias históricas que o Novo Testamento dá em relação a Tiago, o irmão do Senhor, tudo tende a apoiar a autoria tradicional. (1)

No entanto, desde Lutero (1522), outro problema tem se apresentado em relação a Tiago. A aparente contradição entre ele e Paulo, no assunto “fé e obras(2)”. A mais famosa declaração de Tiago “a fé sem obras é morta” (Tg 2.26) gerou discussão nos primórdios da Reforma. Lutero não conseguia conciliar esta declaração com o que Paulo escreveu: “Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, independente de obras da lei” (Rm 3.28). Especialmente outra declaração de Tiago está em aparente oposição ao ensino de Paulo: “Verificais que uma pessoa é justificada por obras e não por fé somente” (Tg 2.24). o curioso é que os dois apóstolos tardios(3) utilizam o mesmo personagem bíblico (Abraão) para defender posições aparentemente contraditórias. Paulo diz:

Que, pois, diremos ter alcançado Abraão, nosso pai segundo a carne? Porque, se Abraão foi justificado por obras, tem de que se gloriar, porém não diante de Deus. Pois que diz a Escritura? Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado para justiça (Rm 4.1-3).

Tiago, em contrapartida, diz: “Não foi por obras que Abraão, o nosso pai, foi justificado, quando ofereceu sobre o altar o próprio filho, Isaque?” (Tg 2.21). Aqui há, pelo menos, uma contradição verbal (4), mas será que há uma contradição teológica?

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