domingo, 16 de maio de 2010

PAIS DEVEM SER GUIA E COMPANHEIRO DAS CRIANÇAS

Deu na VEJA.com:

"Durante a fase de aprendizado, cada pequena descoberta da criança tem para ela o significado de uma gigantesca revelação. Assim, cada vez que ela assiste à TV, navega pela internet ou se aventura em um game, desbrava novos continentes. O problema é que, muitas vezes, essa viagem é feita sem a companhia de um "guia turístico", alguém que explica à jovem cabecinha o significado daquilo que ela está vendo. Esse papel, especialmente entre a miríade de meios eletrônicos, cabe aos pais, defende Ana Margareth Bassols, chefe do serviço de psiquiatria da infância e adolescência do Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Ela explica por que a companhia e orientação dos pais é tão importante: "Quanto menor a criança, maior a dificuldade de discernir o que é fantasia do que é realidade no interior do mundo eletrônico", explica. A orientação é válida tanto para o uso por parte de crianças e adolescentes da TV quanto da web, dos games e do celular. "Os pais precisam dosar o conteúdo e principalmente fazer companhia para as crianças", complementa a estudiosa. Confira a seguir a entrevista que ela concedeu a VEJA.com acerca do tema:

Até que ponto os meios eletrônicos podem influenciar a saúde de uma criança ou adolescente?

Quanto menor a criança, maior a dificuldade de discernir o que é fantasia do que é realidade. Se não houver uma supervisão dos pais ou responsáveis, ela pode acreditar que aquilo também acontece na vida real. Um dos aspectos positivos da TV, da internet, ou do videogame, além do entretenimento, é fornecer informações. Mas é necessária a presença de um adulto que possa esclarecer se aquilo é ficção ou fato real, se é adequado ou não para a criança assistir. Só assim ela poderá se beneficiar dos aspectos positivos dos dispositivos eletrônicos.

Os pais têm noção da importância da supervisão?

Alguns sim, mas outros usam a TV como babá eletrônica. Há um desconhecimento da capacidade de observação das crianças. É como se você pudesse falar sobre qualquer assunto na frente de uma criança – já que não haveria o risco de ela ouvir e entender o que está sendo exposto. Mas não é o que ocorre, pois as crianças são como radares: elas estão observando, aprendendo e repetindo. As crianças precisam ser protegidas desse excesso de estímulos, nem sempre adequados ao seu nível de desenvolvimento.

Crianças que jogam games violentos ou assistem a filmes com cenas de violência podem se tornar mais agressivas?

Se ela vê muitas cenas de violência, além do risco de repetir tal comportamento, corre-se o risco da banalização do ato violento. Ela não tem noção crítica de que aquilo não deve ocorrer em seu cotidiano. O adulto tem que dar o tom para a criança. Deixar um pequeno à mercê do que passa na TV, por exemplo, significa não dar limites à criança, que pode sentir-se liberada para agir da maneira que quiser. E os limites impostos nesse caso são levados para outras esferas da vida.

A exposição exagerada ao entretenimento pode mascarar algum problema mais sério?

O excesso de horas em contato com um dispositivo eletrônico pode ser um sintoma de depressão. Uma criança que não consegue ter um bom relacionamento com os amigos pode encontrar um refúgio no videogame. Um adolescente com problemas de comunicação pode se fechar ainda mais e falar com as pessoas exclusivamente pela internet, não investindo em relacionamentos reais. São múltiplas influências que, se não forem notadas pelos pais, podem desencadear um quadro depressivo. Por outro lado, uma criança com déficit de atenção pode ficar no "mundo da lua" durante a aula e, por outro lado, conseguir um altíssimo nível de concentração diante de um game.

O que fazer para evitar os efeitos negativos da superexposição?

Não podemos culpar só a programação televisiva, os jogos ou a internet. A pós-modernidade tem influenciado os comportamentos e precisamos lidar com isso. Atualmente, as crianças utilizam computadores, assistem à TV e usam o celular ao mesmo tempo. A sociedade parece estar sem limites e alguém precisa se responsabilizar por eles. Os pais precisam dosar o conteúdo e principalmente fazer companhia para as crianças. [Por Natalia Cuminale]

Nota: Além de falar sobre os mais variados assuntos Ellen White falou sobre educação. Entre as orientações que ela escreveu, destaco abaixo algumas orientações sobre a responsabilidade dos pais para com os filhos:

“Iniciem os pais uma cruzada contra a intemperança em seu próprio lar, nos princípios que ensinam os filhos a seguir desde a infância, e poderão esperar êxito” Orientação da Criança, 334.

“Essa obra depende, em grande parte, dos pais. Nos esforços para deter os avanços da intemperança e de outros males que corroem como câncer o organismo social, se fosse concedida mais atenção à tarefa de ensinar aos pais a maneira de formar os hábitos e o caráter dos filhos, o resultado seria cem vezes mais benéfico. O hábito, força tão poderosa para o mal, pode ser transformado pelos pais em força para o bem. Têm de cuidar do rio desde a nascente, cumprindo-lhes dar ao mesmo uma boa direção” Orientação da Criança, 352.

“É possível aos pais lançar as bases de uma vida sã e feliz para seus filhos. Podem fazer com que, ao deixarem o lar, eles possuam a força moral necessária para resistir à tentação, e valor e força para resolverem com êxito os problemas da vida. Podem inspirar-lhes o propósito, e desenvolver neles a faculdade de tornar sua vida uma honra para Deus e uma bênção para o mundo. Podem abrir retas veredas para seus pés, através de sol e sombra, até às gloriosas alturas celestes” Orientação da Criança, 352.

“O que são os pais, em grande parte, hão de ser os filhos. As condições físicas dos pais, suas disposições e apetites, suas tendências morais e mentais são, em maior ou menor grau, reproduzidas em seus filhos” Orientação da Criança, 371.

“O Senhor é servido pelo fiel obreiro doméstico tanto quanto, ou ainda mais, do que por aquele que prega a Palavra. Pais e mães deveriam compreender que são os educadores de seus filhos. Estes representam a herança do Senhor; e deveriam ser treinados e disciplinados de modo a formar caráter que o Senhor possa aprovar. Quando esse trabalho é feito cuidadosamente, com fidelidade e oração, anjos de Deus guardam a família, e a vida mais simples se torna sagrada” A Verdade Sobre Os Anjos, 16.

“Se os filhos tivessem mais familiaridade com os pais, se neles confiassem e lhes desabafassem as alegrias e tristezas, poupar-se-iam muita mágoa futura. Quando se acham perplexos, sem saber qual o procedimento correto, exponham aos pais a questão, tal qual a consideram sob o seu ponto de vista, e peçam-lhes conselho. Quem seria tão capaz como os pais tementes a Deus, de lhes apontar os perigos? Quem tão bem como eles compreenderá seu temperamento particular? Os filhos que forem cristãos avaliarão acima de toda bênção terrena o amor e a aprovação dos pais tementes a Deus. Os pais podem simpatizar com os filhos, e orar por eles e com eles, para que Deus os proteja e guie” Fundamentos da Educação Cristã, 104-106. [EFávero]

1 comentários:

Como seria bom se todos os homens e mulheres, antes de se casarem, tivessem a preocupação de se instruirem com conselhos tão preciosos como esses!

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