segunda-feira, 7 de junho de 2010

UMA PESSOA MARAVILHOSA CHAMADA ESPÍRITO SANTO

Um fazendeiro americano estava mostrando a um amigo inglês os belos cenários da sua terra. Levando-o para ver as cataratas do Niágara, disse: “Aqui está o maior poder, não usado do mundo.” Oh, não! Respondeu o inglês, isto não é verdade: o maior poder não usado no mundo é o Espírito Santo.

Hoje queremos estudar sobre a pessoa maravilhosa do Espírito Santo, o maior poder disponível ao ser humano. Que o Senhor abra a nossa mente para entendermos a sua mensagem e para que estejamos dispostos a nos valer dEste poder na luta contra o mal e na caminhada rumo ao Céu.

Dos membros da Santíssima Trindade, o terceiro é Aquele de quem há menos informações objetivas, precisas, que definam o Seu próprio Ser. O Filho Se tornou um de nós. Sua manifestação foi visível, material, em nosso nível. O Pai foi por Ele revelado. Mas o Espírito permanece um tanto imperceptível, à parte, despretensioso, operando sem auto-projeção, não Se impondo, não falando “de Si mesmo” (João 16:13). E no próprio ato do desprendimento, Ele cumpre a divina obra que O faz conhecido. É parte de Sua glória exaltar e glorificar o Filho, e através do Filho, o Pai, fazendo com que a revelação de ambos se efetive na consciência humana. Que exemplo de abnegação!

No quarto Evangelho, o Espírito executa sete atividades, todas em exaltação a Jesus:

1. Ensinar, e
2. Fazer lembrar tudo o que Jesus disse – João 14:26.
3. Dar testemunho de Jesus – João 15:26
4. Convencer do pecado, porque o mundo não crê em Jesus; da justiça, porque Ele foi para o Pai; e do juízo, porque Satanás foi julgado e derrotado – João 16:8.
5. Guiar a toda a verdade, e Jesus é a verdade (14:6) – João 16:13.
6. Declarar, ou anunciar, o que Jesus, da parte do Pai, Lhe entrega – João 16:13, 14 e 15.
7. Glorificar a Jesus – João 16:14

O apocalipse refere-se a Ele como os sete Espíritos de Deus (Apoc. 1:4 e 5; 4:5). Sete é o número da plenitude. O Espírito alcança a plenitude nesta atividade cristocêntrica.

Isso é tão fundamental para o plano da redenção, que, sem a atuação do Espírito, seria como se Jesus nunca tivesse encarnado e Deus nunca tivesse Se manifestado. Ele habilita o homem a entender a salvação e responder positivamente a ela. Sem Ele, a Igreja não poderia cumprir Sua missão, e estaríamos fadados a permanecer neste mundo indefinidamente.

Objeto de especulação – Talvez o fato de existir pouca informação sobre o Espírito Santo faz com que uma conceituação sobre Ele se torne mais susceptível de especulação. Nos dias de Ellen G. White, havia aqueles que afirmavam que o Espírito era uma “luz derramada” e “uma chuva caída”. Ela condenou esse tipo de comparação por rebaixar a Deus (Evangelismo, pág. 614).

Mais afrontoso ainda é tomá-lo por uma criatura. Há os que acreditam que Ele e Gabriel se equivalem. A inspiração nega isso fazendo clara distinção entre ambos no registro das palavras deste anjo a Maria: “Descerá sobre ti o Espírito Santo...” (Luc. 1:35). Gabriel não poderia estar falando de si mesmo. E Ellen G. White assegura que o seguidor de Jesus pode sentir-se confiante e seguro no conflito “contra as hostes espirituais da maldade”, porque “mais que anjos estão nas fileiras. O Espírito Santo, o representante do Capitão do exército do Senhor, desce para dirigir a batalha.” – O Desejado de Todas as Nações, pág. 352. Rebaixar o Espírito Santo à categoria de anjo é, na realidade, minimizar o poder de Deus, algo muito a gosto de Satanás.

Outra forma especulativa no tratamento de tão sublime tema, é despojar o Espírito de Sua personalidade. As chamadas Testemunhas de Jeová afirmam que Ele é apenas uma influência ou energia – o poder de Deus. Esta idéia é tão antiga quanto o século III, quando Paulo de Samosata a difundiu. No tempo da Reforma, Lécio Socino e seu sobrinho Fausto propagaram a teoria.

Não há como negar que este conceito rebaixa o valor do Espírito Santo para a Igreja. Negar a personalidade do Espírito não é mera questão técnica, acadêmica ou simplesmente teórica. É de suprema importância e do mais elevado valor prático. Se Ele é uma Pessoa divina e O consideramos como influência impessoal, estamos roubando desta Pessoa divina a deferência, honra e amor que Lhe são devidos. E mais: Se o Espírito é mera influência ou poder, podemos então procurar apropriar-nos dEle e usá-lo; mas se O reconhecemos como Pessoa, estudaremos como nos submeter a Ele de modo que nos use segundo Sua vontade.

Não, o Espírito Santo não é uma tênue, nebulosa influência imanente do Pai. Não é algo impessoal, vagamente reconhecido, apenas um invisível princípio de vida... Jesus foi a personalidade mais influente e marcante neste velho mundo, e o Espírito Santo foi designado para preencher Sua vaga. Nada a não ser uma Pessoa poderia substituir aquela maravilhosa Pessoa. Nenhuma simples influência seria suficiente. Para substituir uma pessoa maravilhosa, só outra pessoa maravilhosa.

Alguns se valem do fato de a Bíblia identificá-lo como Espírito de Deus ou de Cristo (I João 4:2; I Cor. 3:16; Gál. 4:6, I Ped. 1:11, entre outros textos), para afirmar que o Espírito Santo é algo inerente a Deus, tal como a Sua energia ou virtude. Todavia, a fórmula indica procedência e não inerência (cf. João 14:26; 15:26). Pode também indicar que Sua obra é executada em subordinação ao Pai e ao Filho. Parte desta obra é a representação vicária de ambos neste mundo. De fato, Jesus prometeu aos discípulos que retornaria para eles na pessoa do Espírito Santo (João 14:16-18 e 23).

Condenando as especulações, o Ellen White adverte: “A natureza do Espírito Santo é um mistério. Os homens não a podem explicar, porque o Senhor não lho revelou. Com fantasiosos pontos de vista, podem-se reunir passagens da Escritura e dar-lhes um significado humano; mas a aceitação desses pontos de vista não fortalecerá a Igreja. Com relação a tais mistérios – demasiado profundos para o entendimento humano – o silêncio é ouro.” – Atos dos Apóstolos, pág. 52.

Um ser pessoal – Mas quando Ellen G. White afirma que “a natureza do Espírito Santo é um mistério”, não quer ela dizer que nada podemos saber sobre Ele. Aquilo que a revelação nos transmite não é especulação; é a realidade, e é nosso dever aceitar por fé.

Dois pontos sobre o Espírito Santo estão devidamente assentados nas páginas sagradas: Ele é uma pessoa, e é Deus. “O Espírito Santo tem personalidade, do contrário não poderia testificar ao nosso espírito e com nosso espírito que somos filhos de Deus. Deve ser também uma pessoa divina, do contrário não poderia perscrutar os segredos que jazem ocultos na mente de Deus”. – Evangelismo, pág. 617.

A personalidade do Espírito Santo é claramente inferida do testemunho bíblico. As seguintes referências não deixam dúvida a respeito:

1. Ele é citado entre pessoas: “Pois pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor maior encargo” (Atos 15:28). Além disso, Ele aparece na fórmula batismal junto ao Pai e ao Filho (Mat. 28:19); seria redundância Jesus mencionar o Espírito Santo, tendo já mencionado o Pai, fosse Ele a mera energia dEste; também não faria sentido Jesus ordenar o batismo em nome de uma Pessoa, o Pai, de outra Pessoa, o Filho, e agora em nome de uma energia, o Espírito.

2. Ele é Senhor (II Cor. 3:17 e 18). Este termo define personalidade e divindade quando aplicado ao Pai e ao Filho; porque não quando aplicado ao Espírito?

3. Ele possui mente (Rom. 8:27). O Espírito Santo é um ser pensante, o que implica inteligência. Ele não pode ser menos que uma pessoa.

4. Ele tem sentimentos:
• Pode ser contristado – Efé. 4:30
• Expressa anseio – Tia. 4:5
• Possui alegria – I Tess. 1:6
• Ama – Rom. 15:30
• Expressa vontade – I Cor. 12:11

5. Pode, e deve, ser mantida comunhão com Ele (Fil. 2:1; II Cor. 13:13). Não se mantém comunhão com uma energia.

6. Não é mero poder, mas tem poder (Rom. 15:19). Seria outra redundância a Bíblia falar do poder do Espírito Santo, fosse Ele mero poder; seria “o poder do poder”!

7. Pode-se mentir a Ele (Atos 5:3). Mente-se a uma pessoa e não a uma energia.

8. Pode-se-Lhe resistir (Atos 7:51). É possível cumprir o papel de um resistor (componente que impede, ou atenua, o fluxo da corrente elétrica) para com o Espírito Santo? Sim, e isto o pecador faz quando, diante do apelo divino, prefere permanecer no erro. Mas isso não significa que o Espírito Santo não seja uma pessoa, pois não é apenas a uma energia que se resiste. Pessoas também podem ser resistidas, incluindo Deus (11:17). O texto fala de se resistir às claras evidências da verdade, apresentadas pelo Espírito Santo.

9. Pode-se guerrear contra Ele (Gál. 5:17). O que é uma intensificação de resistência ao Espírito Santo.

10. Pode-se ultrajá-Lo (Heb. 10:29). Como é possível ultrajar uma energia? Ultrajar se liga naturalmente ao sentido de afrontar, insultar, difamar, injuriar, ofender, deprimir, vilipendiar, desacatar, vituperar, envergonhar. Como se pode fazer tudo isso a uma energia?

11. Pode-se blasfemar contra Ele como se blasfema contra o Filho (Mat. 12:31). É possível blasfemar contra uma energia? Blasfema-se contra uma pessoa, como é o caso de Jesus aqui.

12. Ele executa específicas funções próprias, não de uma energia, mas de uma pessoa:
• Sonda, perscruta a Deus – I Cor. 2:10
• Concede dons para a edificação da Igreja – I Cor. 12:8 e 12
• Manifesta-Se nesses dons – I Cor. 12:7 (em outras palavras, ao conceder dons à Igreja o Espírito Se dá a ela)
• Contende com pecadores – Gên. 6:3
• Ordena sobre itens relevantes para a obra e o povo de Deus – Atos 8:39; 10:19 e 20
• Envia pessoas no processo do cumprimento de alguma missão – Atos 10:19 e 20
• Ensina o que uma vez ouviu – João 16:13 (ouvir não é próprio de uma energia), ver também 14:26; I Cor. 2:13
• Revela, especialmente pelo exercício profético – Atos 1: 16; II Ped. 1:21; I Tim. 4:1
• Testifica através da intuição na consciência, bem como com o testemunho da Igreja – Rom. 8:16; Atos 5:32; Apoc. 22:17
• Move o agente humano na captação da revelação divina – I Pedro 1:21
• Incute novas realidades ainda não percebidas – Heb. 9:8
• Indica a correta compreensão do que é revelado – I Ped. 1:11
• Guia os filhos de Deus – Rom. 8:14, inclusive na busca de “toda a verdade” – João 16:13
• Assiste nas fraquezas – Rom. 8:26
• Intercede corrigindo nossas orações – Rom. 8:26
• Produz frutos na vida dos que se submetem a Ele – Gál. 5:22 e 23
• Lava e renova, o que resulta em salvação – Tito 3:5. Em João 3:5 e 6 este ato é referido por Jesus em termos do novo nascimento.
• Escreve a lei de Deus nas tábuas do coração – II Cor. 3:3
• Santifica – II Tess. 2:13; I Ped. 1:2
• Sela os que são de Deus – Efé. 1:13

Conclusão – Que pessoa maravilhosa é o Espírito Santo! Que humildade, que interesse, que desvelo! Ele nos ama a ponto de instar conosco a que sejamos salvos. Ele está disposto a aplicar em nossa vida a obra redentora da cruz em toda a sua extensão. A exemplo do Pai e do Filho, Ele anseia por nossa presença no reino de Deus. Já Lhe agradecemos por isso?

De fato, Ele é um precioso Amigo. Se O resistirmos, magoá-Lo-emos, e Ele poderá Se afastar triste e pesaroso por nossa indelicadeza e apego àquilo que resultará em nossa infelicidade permanente. Mas se O acolhermos, Ele tomará posse do nosso ser, far-nos-á crescer até a semelhança com Jesus e até colocar os nossos pés na cidade celestial.

Hoje, a Sua voz está falando a nós, pedindo entrada em nossa vida, desejando permanecer conosco. Que abramos hoje, agora, o nosso coração de par em par a pessoa do Espírito Santo para que Ele viva em nós, como nosso Santo e bom Consolador. “Hoje, se ouvirdes a Sua voz, não endureçais o vosso coração” (Heb. 4:7).

Autor: Dr. José Carlos Ramos
Adaptação: Pr. Dirceu de Lima

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