segunda-feira, 1 de novembro de 2010

As leis do reinado

Esta é uma das muitas histórias que foi contada pelo meu avô, um grande sábio. Não sei quem as escreveu, se ele as vivenciou ou se ele criou estas histórias, mas são histórias que realmente marcaram minha vida.

Na época do feudalismo, onde os reinos eram chamados feudos, o rei tinha poder absoluto sobre suas terras e moradores. Ele criava as leis (tanto civis quanto religiosas) e tudo mais que tivesse em seus domínios. Como o rei precisava se apoio, até para evitar conflito com os reinos vizinhos, eram formadas alianças entres os reinos.

Um dia, em uma grande celebração, o Rei de um grande reinado do Leste convidou o rei do Oeste para participar desta grande celebração. O Rei do Oeste chegou com parte da corte para esta grande celebração. Este convite foi feito porque os reis eram grandes amigos e o rei do oeste nunca havia participado desta celebração.

À noite, na hora do banquete, foi servida comida farta e bebida abundante e todos começaram a ceia. Um homem, que era o braço direito do rei do oeste, pegou um pouco de comida e saboreou um suculento peixe. Após terminar de comer a parte de cima ele virou o peixe e começou a comer o outro lado. Neste momento um grande grito quebrou o aparente silencio que reinava naquele ambiente. “ELE ESTÁ COMENDO O OUTRO LADO DO PEIXE”.

Sem entender muito bem o que aconteceu, aquele homem, braço direito do rei do oeste, continuou sua refeição mais foi interrompido por guardas que o levaram para uma prisão. O rei do oeste ficou sem entender o que estava acontecendo e foi conversar com seu grande amigo. O rei do leste então disse: “No meu reino é proibido comer o outro lado do peixe, pois quando o peixe toca aquela parte se torna impura e não deve ser comida”.

O rei do oeste então disse: “Meu homem não sabia desta lei e não posso perdê-lo. Ele é um dos homens em quem tenho maior confiança”. O rei do leste então respondeu: “Infelizmente se deixa-lo livre perderei a autoridade diante de meu povo. Como poderei liderá-los se não fui capaz de seguir uma lei que eu mesmo criei? Infelizmente não há nada que eu possa fazer. Ele será executado em 10 dias”.

Chegou então o dia da execução. Todos estavam na praça para ver aquele acontecimento. O Senhor foi mostrado para o publico e quando estava sendo levado para a força um jovem gritou na multidão: “CARO REI, SOU O FILHO DESTE HOMEM E PEÇO PARA SER EXECUTADO EM SEU LUGAR”.

O rei do leste ficou confuso e perguntou o que estava acontecendo. O jovem pediu permissão para falar com o rei. Ao chegar perto do rei ele disse: “Rei, uma das suas leis de seu reinado reza que um membro da família pode trocar de lugar com a pessoa que será executada. Eu quero trocar de lugar com o meu pai”. O Rei pensou um pouco e resolveu aconselhar-se com seus conselheiros que disseram: “Esta realmente é uma de nossas leis, mas foi criada para o pai substituir o filho. Caso como esse nunca aconteceu, mas se é ele que esta pedindo achamos melhor o senhor fazer a troca.”

O condenado entra em desespero e pede a seu filho: “Não faça esta uma loucura filho, sou velho e você ainda tem a vida toda pela frente!” O filho sussurra então ao ouvido do pai: “Conheço as leis deste reinado, fique tranquilo”.

Após a troca o filho é apresentado ao publico e quando o carrasco chega ele grita novamente: “OH REI, UMA DE SUAS LEIS DIZ QUE UM CRIMINOSO TEM DIREITO A TRÊS DESEJOS ANTES DE MORRER E EU INVOCO AGORA MEUS TRÊS DESEJOS!” O rei mais uma vez fica sem entender muita coisa e consulta mais uma vez os conselheiros, que dizem: "O jovem esta certo. Ele tem direito a três desejos, menos pedir clemência. O jovem então grita para toda população ouvir: “MEU PRIMEIRO DESEJO: QUERO METADE DE SUAS TERRAS!” O conselheiro que já estava do lado do rei disse: “Aceite, para ser o dono das terras ele terá que empossa-las, mas não poderá fazer isso morto.”

“MEU SEGUNDO DESEDO É CASAR COM SUA FILHA!” Mais uma vez o conselheiro diz ao rei “Aceite. Morto não casa.” Ele então pergunta ao rei “Concorda com os dois desejos?” O rei responde com ar de interrogação “sim”.

Então o jovem grita seu terceiro desejo: “QUERO QUE ANTES DE MORRER A PESSOA QUE VIU MEU PAI VIRAR O PEIXE NO DIA DO BANQUETE TENHA O OLHO ATRAVESSADO COM UM FERRO QUENTE!”

O caos tomou conta do lugar e só se ouvia falar “Não fui eu”, “eu não vi nada”, etc. O jovem então grita mais uma vez “CARO REI, VOCÊ VIU MEU PAI VIRAR O PEIXE?”. O rei responde “não” bem baixinho. O jovem então pergunta “SE NINGUÉM VIU MEU PAI VIRAR O PEIXE NO BANQUETE, QUAL O MOTIVO ENTÃO DESTA EXECUÇÃO?” O rei sem saber o que fazer suspende a execução por “falta de provas”.

É então dito para o jovem que ele esta livre, mas antes de sair do lugar ele grita mais uma vez: “E OS MEUS OUTROS DOIS DESEJOS REI, NÃO IRÁ CUMPRI-LOS?”. O rei então em uma grande cerimonia concede metade de suas terras ao jovem e logo em seguida ele se casa com a filha do rei, pois um rei nunca deve deixar de cumprir as leis do seu reinado.

A moral da hitória é que nunca se deve emitir um julgamento sem primeiro saber toda a verdade. Nunca acuse ninguém sem primeiro conversar com a pessoa dita culpada e tenha suficiente humildade para mudar de opinião quando necessário.

Afrânio Rodrigues

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