segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Nelson - Enviado para libertar os cativos

Sempre tive o evangelismo no coração. Minha maior preocupação é comunicar a outros a verdade. Um dia, sentado no meu escritório fui abordado por uma mulher que me perguntou se eu era o pastor local. Disse que não, mas que era o auxiliar do pastor (ancião), e perguntei se podia ajudar de alguma forma. A mulher de meia idade trazia uma mensagem: “Por favor, preciso urgente falar com o pastor da igreja de Guaraniaçu.” Ela me disse que vinha apenas trazer o recado. O jovem estava preso na penitenciária da cidade.

O que é mais surpreendente é que eu há algum tempo vinha pensando em realizar um trabalho consistente nesta penitenciária. Eu achava difícil ir ao presídio, mas queria ir, pois acreditava em Mateus 25. Ao mesmo tempo, pensava que a pregação ali seria inútil. Depois da visita daquela mulher pensei: Agora eu tenho que ir, é o sinal de Deus. Depois de uma semana consegui a documentação para entrar junto com as pessoas na hora da visita.

A mulher não tinha falado o nome da pessoa que queria falar comigo a princípio, pois ela não lembrava mais. Então o que eu fiz? Entrei no presídio segurando a Bíblia junto ao meu peito, me dirigi ao pátio e fiquei em pé no meio da multidão sem saber quem queria falar comigo.

Percebi então um rapaz que me olhava. Fui andando em sua direção e ele veio em minha direção, me abraçou e chorou sem falar nada por quase meia hora. Vivi o momento do pai do filho pródigo. Ele chorava sem parar. Quando conseguiu se controlar me perguntou: “Você é o pastor da Igreja Adventista?” “Sou apenas o auxiliar”, eu respondi.

Sentamos no chão e ele começou a contar sua história. Seu nome era Mitsunori e ele era um ex-adventista. Tinha se afastado de Deus. Estava numa situação financeira precária e recebeu uma proposta de R$ 40.000,00 para buscar 300 quilos de maconha em Foz do Iguaçu. No desespero ele aceitou a proposta, mas quando estava voltando com a droga a polícia o prendeu.

Quando a polícia parou o carro o guarda foi logo dizendo. “Se você me disser onde está à droga você passará menos anos de prisão. Se eu tiver que achar vai passar mais tempo na cadeia.”

Era uma armadilha. E ele o cobaia. Agora estava preso e ninguém de sua família sabia que ele estava na prisão. Por isso o seu desespero. Uma semana depois deste encontro eu já estava estudando a Bíblia com 12 pessoas no presídio.

Desde então, são 5 anos estudando a Bíblia no presídio. Hoje, porém, trabalho no Presídio de Cascavel. Tudo começou porque Mitsunori foi transferido para lá. Porém, não foi fácil começar o trabalho ali. No Presídio de Cascavel não pode entrar qualquer um. Demorou 6 meses para eu conseguir a documentação.

Além disso, você só pode começar uma igreja lá dentro se já tiver previamente, antes de entrar, 20 membros de sua igreja. Nestas condições eu não conseguiria entrar, mas Mitsunori foi falando com os demais presos e pediu para 20 deles assinarem uma declaração dizendo que eram membros da igreja. E assim começou o trabalho.

Outra pessoa que estava lá era o Jorge. Um salteador que foi transformado pela graça de Jesus. Depois que saiu da prisão o Jorge sentou no sofá da minha casa e disse:

“Chega o momento que você não tem medo de nada. Matei cinco pessoas e ninguém descobriu. Tornei-me um homem tão ruim que um dia almoçando na casa da minha mãe eu bebi demais e minha cunhada brigou comigo. Só não bati nela porque o meu irmão estava lá. Fiquei com tanto ódio dela que comprei um galão de gasolina e derramei em sua casa, e enquanto ela estava na casa da mãe eu queimei toda a casa. Fui preso e um amigo de cela todo o sábado me convidava para ir à igreja (do presídio). Eu não queria ir, dizia que meu negócio era matar gente, não ir à igreja. Em um sábado chuvoso meu amigo saiu e não me chamou. Quando voltou então lhe perguntei: ‘Por que você não me chamou? ’ Ele respondeu: ‘Porque eu sempre convido e você nunca vai! ’ Naquele dia eu disse: ‘Então só porque você não me convidou hoje eu vou, porque eu sou do contra.’”

“Quando cheguei à “igreja” (uma sala no presídio) algo aconteceu comigo. Quando vi a apresentação em PowerPoint eu me arrepiei, queria sair dali, mas ao mesmo tempo eu não podia. Tudo o que foi falado era para mim. Depois daquele sábado nunca mais eu faltei. Às vezes, durante a semana eu fazia planos para não ir, mas no sábado eu não ficava em paz se eu não fosse.”

Antes de Jorge ser liberto a Assistente Social o chamou e lhe disse: “Jorge você foi um dos piores prisioneiros que já passou por aqui. Mas você mudou! De repente, bruscamente! Você se tornou um homem correto e honesto. Jorge, o que aconteceu? Por que você mudou?” Jorge respondeu: “É que eu conheci a Jesus na Igreja Adventista do Sétimo Dia”.

Nestes cinco anos de trabalho mais 32 pessoas já foram batizadas, destas, 10 ainda estão no Presídio. Trabalhar ali é uma realização única. Porque ali eu posso sentar ao lado de homens que mataram dez, quinze pessoas, forma traficantes, estupradores e vejo o poder de Deus sobre o ser humano. É um grande privilégio, uma alegria incontável.

Hoje, faço parte da comissão da ressocialização. Tenho dentro da minha empresa um funcionário que é ex-presidiário. Mitsunori, aquele que me ajudou a começar este trabalho, está livre e serve ao Senhor na Igreja Adventista em Teófilo Otoni – MG.

Ainda este ano, Deus nos deu uma grande bênção. No final de semana do Evangelismo Tempo de Esperança, marcamos um batismo. Seis homens haviam tomado a decisão e eu já havia feito a ficha batismal. O Pr. Célio veio para a cerimônia, no momento em que estava assinando as fichas, um dos presos, questionou sobre o que se tratava e, se apenas os que tivessem a ficha poderiam ser batizados. O pastor respondeu que aqueles que estivessem preparados seriam batizados. Aquele homem já vinha estudando há muito tempo e pediu o batismo, ficamos muito contentes.

No final da cerimônia batismal, o pastor fez o apelo, primeiro Emílio Galvão se levantou e em seguida mais dois vieram. Ali, antes da oração final, o pastor disse que o batismo deles seria em dezembro. Mas, Emílio disse: “Não pastor! Eu quero ser batizado agora, este é o momento, não vou mais adiar a minha decisão!”. Meu coração explodiu de emoção. As bênçãos de Deus são verdadeiramente sem medida! Para nossa alegria oito vidas, ao invés de seis, foram batizadas e agora fazem parte da Igreja Adventistas do Sétimo Dia. E outros serão batizados ainda este ano.

O trabalho ali não é fácil, mas é imensamente gratificante, leva tempo para alguém se converter, porém, prosseguimos, pois Jesus nos disse que deveríamos ir a todos os lugares, a fim de libertar as almas que estão acorrentadas pelo pecado. E Sua promessa: “Eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” é fiel.

Programa do culto no presídio: (Duração de uma hora)
• Louvor
• Dividem-se em 2 grupos
• Oração
• Pedidos de oração
• Estudo bíblico
• Mensagem Musical
• Pequeno Sermão
• Oração final

Nelson Ferreira de Almeida,
Empresário em Guaraniaçu - PR.

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