quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Natal: Deus conosco e esperança de glória

É comum nesta época do ano, sentirmos as pessoas mais solidárias. Uma atmosfera diferente nos circunda e damos mais atenção àquilo que realmente importa: o amor ao nosso próximo.

Pessoalmente, aprecio muito o Natal, lembra a minha infância, quando toda nossa grande família se reunia para a ceia, ali estavam meus bisavós, avós, tios e primos, todos muito felizes. Minha mãe sempre se preocupava em preparar uma ceia deliciosa, todos os detalhes eram levados em consideração. Mas tinha algo que me fascinava: os belos programas que a igreja organizava, era muito gostoso estar lá para relembrar o milagre da encarnação, o verdadeiro sentido do Natal: Deus conosco.

Sabemos que não foi exatamente nesta ocasião que Jesus nasceu, provavelmente a data mais certa seja o mês de outubro quando ainda é outono no hemisfério norte. Porém, esta festa tem sido tão comemorada ao longo de anos que vale à pena pararmos um pouco e meditarmos em tão sublime ato.

É muito bonito vermos as pessoas mais solidárias, fazendo votos de paz e felicidades, afinal, Deus não nos criou para isso? Sermos felizes? Sim, é o desejo de Deus que sejamos pessoas cheias de Sua paz, e foi justamente por isso, que Ele enviou Seu filho, para que finalmente fossemos libertos da escravidão do pecado. Esta é a verdadeira razão pela qual devemos celebrar o Natal: nova vida em Cristo, pois Este “veio para nos erguer do pó, reformar o caráter manchado, segundo o modelo de Seu divino caráter, embelezando-o com Sua própria glória (1). Contudo, de nada adianta buscar sermos mais solidários, fazermos votos de paz e felicidade, distribuirmos presentes aos necessitados, participarmos de campanhas, se o verdadeiro motivo não for lembrado.

Constantemente, nos lembramos de nós mesmos e dos outros e acabamos nos esquecendo do nosso Grande Senhor. Aquele que deixou Seu lar de glória e nasceu em uma humilde manjedoura em Belém, não somente para nos ensinar a grande virtude: humildade, como também para ser um sacrifício vivo. O nascimento de Cristo nos leva a primeira grande profecia bíblica, em que toda a história da redenção é sintetizada, “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gênesis 3:15). A interpretação messiânica aqui se dá porque ferir a serpente na cabeça seria fatal. Por outro lado, ferir o calcanhar não é mortal, é uma referência ao sofrimento do Messias como preparação para sua vitoriosa ressurreição.

Os evangelhos descrevem de forma deslumbrante o nascimento do Desejado de Todas as Nações: “É que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor... Glória a Deus nas alturas, e paz na Terra entre os homens, a quem Ele quer bem” (Lucas 2:11 e 14). E ainda: “E o verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a Sua glória, glória como do unigênito do Pai” (João 1:13). Ao utilizar-se do verbo “habitar”, do grego skenoo, que literalmente é tenda, o autor quer dizer que temporariamente Deus esteve entre Seu povo, como perfeito Deus-Homem. “Não resta a menor sombra de dúvida de que havia uma ‘identificação’ do Filho com o mundo para o qual Ele foi enviado. Ele não permaneceu no Céu; veio ao mundo. A Palavra não foi proferida do Céu; a Palavra tornou-se carne. E a seguir Ele viveu entre nós. Ele não veio para uma visita rápida nem se apressou em voltar para o Seu lar. Ficou no mundo para o qual veio. E deu aos homens a chance de ver Sua glória. [...] Ele assumira a nossa natureza. Assumiu as nossas transgressões, nossa condenação, a nossa morte. Sua autoindentificação com o homem foi total e completa” (2). E isto, Ele fez para provar ao Universo que é possível em Deus viver uma vida correta, moldada por Sua lei eterna.

Enquanto aqui viveu, Cristo devido Sua comunhão com o Pai nos ensinou que podemos mesmo em grande sofrimento e agonia nos escondermos nos braços de amor do Deus eterno, porque Ele tem cuidado de nós. O nascimento de Cristo deve trazer à nossa mente que Deus desceu até nós para restaurar a vida e construir uma ponte sobre o abismo de separação que o pecado lá no Éden causou. O Natal precisa ser um momento de profunda reflexão para que venhamos entender o que significa o pecado, quão destruidor ele é e, enxergarmos através dos olhos da fé aquilo que Deus deseja fazer por nós. “Em consequência do pecado de Adão, a morte passou a toda a raça humana. Todos semelhantemente descem ao sepulcro. E, pelas providências do plano da salvação, todos devem ressurgir da sepultura. “Há de haver ressurreição de mortos, assim dos justos como dos injustos" (Atos 24:15); “assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo” (I Coríntios 15:22) (3). O nascimento de Cristo é garantia de vida eterna.

Por isso, Natal é esperança. Não só de paz celestial, de felicidade, mas principalmente de vida eterna. Quando vemos a profecia de Gênesis 1:15 concretizar-se com o nascimento de Cristo, podemos estar certos que todas as demais profecias se cumprirão. Quando penso que o Meu Deus cumpriu Sua promessa, veio a este mundo e fez-se “Deus conosco” mais aprecio o Natal. E assim, tenho certeza que brevemente verei cumprir-se outra promessa pronunciada antes de ascender aos Céus: “Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, credes também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fora, eu vo-lo teria dito. Pois vou prepara-vos lugar. E, quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, estejais vós também” (João 14: 1-3). Esta é certamente uma das verdades mais solenes e não obstante mais gloriosas, descrita nas Escrituras, a nós que andamos jornadeando neste mundo, Cristo mostrou o cumprimento final do plano da redenção.

As profecias que falam sobre o nascimento, morte e ressurreição de Cristo foram perfeitamente cumpridas, no tempo exato. Isto nos dá garantias que a promessa do retorno do nosso Senhor também se efetivará. Sua Palavra não falha, jamais falhou, assim, podemos estar certos que a bendita esperança que Paulo nos fala haverá de se cumprir. “Aguardando a bendita esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Salvador Jesus Cristo” (Tito 2:13).

Natal é sim tempo de alegria, tempo de compartilharmos, de nos doarmos, mas principalmente, Natal deve ser todo dia, não uma época, não apenas uma festividade, afinal, todo o dia é tempo de nos lembramos com o coração agradecido o que Deus fez por nós. Todo dia é dia de nos lembrarmos da bendita promessa: “voltarei e vos receberei”. Este é o tempo de pensarmos no nosso Senhor, que se fez Deus conosco, para que recebamos a cada dia a manifestação do Seu infinito amor. Este é o tempo de compartilharmos com o nosso próximo o que significa Natal: Deus conosco e esperança de glória. Que todos entendam e vivam intensamente, todos os dias, o Natal e certamente estaremos mais perto do coração de Deus.

Jorgeana Longo
Professora de Língua Inglesa e esposa do Pr. Célio Longo

Referências:
1. WHITE, Ellen. O Desejado de Todas as Nações. Casa Publicadora Brasileira, Tatuí - SP, p. 38.
2. STOTT, John. Cristianismo Autêntico. Editora Vida Acadêmica - São Paulo, 1995, p. 47.
3. WHITE, Ellen. O Desejado de Todas as Nações. Casa Publicadora Brasileira, Tatuí - SP, p. 544


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1 comentários:

ótimo sermão, muito rico em seu conteúdo, todo fundamentado na Bíblia Sagrada. Que Deus continue te abençoando!

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