sábado, 22 de janeiro de 2011

A salvação é por um dia

“Viva a vida de fé dia a dia. Não se torne ansioso e preocupado com o tempo da tribulação, sofrendo de antemão. Não fique pensando “estou com medo e não permanecerei no dia do grande teste”. Você deve viver o presente, um dia de cada vez, o amanhã não lhe pertence. Hoje você vence o eu, hoje você deve ter uma vida de oração. Hoje você deve combater o bom combate da fé, hoje você deve crer que Deus o abençoa e ao obter a vitória sobre as trevas e a descrença, você preencherá os requisitos do mestre e se tornará uma benção para aquele ao seu redor” (sings of the times, 20 de outubro, 1887, pg 10)

Salvos do poder do pecado por um dia

A origem do pecado deu-se nas cortes celestiais. Anjos liderados por Lúcifer rebelaram-se contra Deus e sua autoridade. Por isso foram expulsos do céu (Apocalipse 12:4, 7-9). Enganados pelo inimigo, Adão e Eva escolheram desobedecer a Deus (Gênesis 3:1-6). “Por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte” (Romanos 5:12). Adão não compreendeu em plenitude o que havia feito, e quais os resultados que esta transgressão traria para si e o mundo, assim, o plano da salvação entrou em ação, plano este estabelecido anteriormente no céu.

O plano implicaria na morte de um inocente no lugar do casal caído. Essa morte soou de maneira estranha para Adão e Eva, mas o seu significado trouxe a compreensão de que era necessário o cordeiro morrer, afim de trazer a remissão do pecado. Desta forma, o sistema sacrifical foi estabelecido e o evangelho ensinado de maneira prática. Quando Deus pagou o preço da transgressão, pelo sacrifício que Cristo na cruz, uma nova era nasce para a humanidade.

É interessante notar que o que Deus fez em Cristo por meio da cruz é “salvar o homem, revelar-se a si mesmo e vencer o mal” (Romanos 3:21-25). Mas, como o indivíduo pode ser salvo da condenação do pecado? Quando se verá livre de seu poder sedutor? Quando será por fim erradicado o mal? A salvação mostra-se em três tempos: (1) no passado, (2) no presente, (3) no futuro.

Em 2ª Timóteo 1:8-9, destaca-se o que Deus realizou no passado: “Não te envergonhes, portanto, do testemunho de nosso Senhor (...) que nos salvou e nos chamou com santa vocação, não segundo as nossas obras, mas conforme a sua própria determinação e graça que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos tempos eternos.” Essa ação salvadora já realizada por Deus é oferecida a todos, sem qualquer distinção. Assim, todos são alcançados pela salvação e podem ser livres da condenação.

O segundo aspecto é mostrado em 1ª Coríntios 1:18: “Certamente a palavra da Cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, poder de Deus”. A expressão ”somos salvos” evoca uma ação presente, algo contínuo. Assim, o homem que foi salvo da condenação do pecado, logo será salvo do poder do pecado, Deus libertou-o do poder que aquele pecado exercia sobre ele; isto é a santificação, a salvação no presente, está é a obra que o espírito santo faz nas pessoas hoje. Paulo em sua carta aos Romanos discorre a respeito disto "porque bem sabemos que a lei é espiritual; eu, todavia, sou carnal, vendido a escravidão do pecado. Porque nem mesmo compreendo o meu próprio modo de agir, pois não faço o que prefiro, e sim o que detesto...porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço” Romanos 7:14,15 e19. Paulo era convertido, conhecia a Cristo, foi salvo por Ele, e não obstante havia uma luta interior na vida do apostolo, esse conflito é o reflexo das naturezas antagônicas presente no cerne de Paulo.

O terceiro aspecto da salvação abrange o futuro, em que através da glorificação o ser humano estará livre da presença do pecado. Romanos 5:9 diz : “Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira”. Estar liberto da presença do pecado implica em não mais ter uma natureza pecaminosa, com tendências ao pecado. Esta ultima fase da salvação será efetuada na volta de Cristo a terra, onde o pecado será para sempre extinguido.

Nestas três fases vemos os passos da salvação concedida por Deus. Mas, para que morte de Cristo na cruz tenha como resultado a nossa salvação eterna, é de grande importância da decisão que tomamos hoje. A resposta diária dada à oferta da graça define hoje nosso destino eterno. Portanto, o homem alcança a salvação diária aceitando a Cristo como seu Senhor e salvador pessoal e permitindo que a influência do Espírito Santo seja real em sua vida, revelando suas deficiência e mostrando o caminho para vencê-las, dia após dia.

Graça concedida por um dia

A graça é um atributo por excelência de Deus. A graça de Deus é certa e Ele é fiel ao ofertá-la. Em Lamentações 3:22-23 encontramos uma das maiores declarações bíblicas acerca do caráter de Deus: “As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; renovam-se a cada manhã. Grande é a tua fidelidade.” Conforme o profeta Jeremias, Deus é fiel porque a sua misericórdia não tem fim, a salvação renova-se a cada manhã porque a sua graça é inerente a Ele.

Em toda a Bíblia acha-se evidências de Seu amor para com a humanidade, mesmo em passagens onde seu juízo executivo está em ação percebemos seu amor nas entrelinhas; foi assim com os antidiluvianos (Gênesis 6 e 7), Sodoma e Gomorra (Gênesis 19) e os Cananitas (Josué 6 -14) a quem Josué e seu exercito destruíram, a todos estes Deus deu tempo o suficiente para arrependimento e voltarem-se para Ele, no entanto sua graça e misericórdia foram interpretadas de maneira contraria. Não buscaram o Senhor, não fizeram Dele sua prioridade, em Jeremias 29:13 o profeta relata, “Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração”. O salmista Davi escreveu: "De manhã, SENHOR, ouves a minha voz; de manhã te apresento a minha oração e fico esperando (salmos 5:3) e ele continua, “sacia-nos de manhã com a tua benignidade, para que cantemos de júbilo e nos alegremos todos os nossos dias” (Salmos 90:14). Todos os dias diz ele, a cada dia deve-se buscar o Senhor, a cada dia buscar sua misericórdia, por que? Porque é necessário humildade, amor, fé, mansidão e respeito e estas bênçãos genuínas só vem do Senhor.” Senhor, tem misericórdia de nós; em ti temos esperado; sê tu o nosso braço manhã após manhã e a nossa salvação no tempo da angústia.” (Isaias 33:2).

O homem interior renovado segundo Paulo

“Por isso, não desanimados; pelo contrário, mesmo que o nosso homem exterior se corrompa, contudo, o nosso homem interior se renova de dia em dia” (2 Coríntios 4:16) “vemos aqui, claramente, a verdadeira felicidade e a verdadeira coragem, que não podem depender de circunstâncias externas da vida mortal. Pelo contrário, isso depende do bem estar da porção espiritual do homem”. O apostolo Paulo considerou-se o mais miserável de todos os homens, “o principal pecador”, não obstante seu poder é fé em Deus pareciam-se inabaláveis.

Muitos desejam a fé de Paulo, sua eloqüência, sua coragem, sua ousadia e sua determinação em pregar o evangelho, mas poucos querem pagar o preço. O perigo de ser morto a qualquer instante, dificuldades financeiras, fome, escassez de roupas e os desafios de estar sempre em uma terra desconhecida. Paulo trabalha bem este tipo de motivação pelo evangelho em todas as suas cartas e epistolas, exortando, admoestando, aconselhando em fim. Seu próprio testemunho registrado em atos 16, é uma prova incontestável de que sua fé era algo vivo, poder diário renovado em sua vida. Sim, cantar em uma prisão meia noite, louvar o nome de Deus pela dificuldade presente só pode vir de uma fé nutrida dia a dia dependente da graça divina.

Ele é o mesmo Paulo que afirma, “vivei em paz...consoleis os desanimados... ampareis os fracos... sejam longânimos...segui sempre o bem...regozijai-vos sempre...orem sem cessar, e por fim, em tudo daí graças”. (1 tessalonicenses 5:13-19) de onde vinha sua motivação? De Deus, lógico! Qual era o segredo? Sua atitude.

Paulo sofria com sua tendência pecaminosa mas acreditava que a misericórdia de Deus supria a cada dia a sua deficiência. Em Filipenses 4:8 vê-se um vislumbre do que permeava sua motivação; procurava colocar em sua mente pensamentos puros, bons sentimentos, boas atitudes, em fim, sua vida estava nas mãos de Deus. “Portanto, se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus. Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra” (Colossenses 3:1-2).

Renovar é substituir o velho homem de pecado e permitir Cristo na mente. Renovar é entregar planos financeiros, estudos, casamento, namoro, faculdade, filhos, casa e igreja nas mãos do Senhor. “E vos renoveis no espírito do vosso entendimento” (Ef 4:23) é o conselho daquele que viveu dia a dia nas mãos do Senhor.

Graça e misericórdia em Ellen G. White

“As questões espirituais sempre foram importantes para a jovem Ellen. Mas o que a motivava era principalmente o medo – o medo de não estar preparada quando Cristo voltasse, o medo de fracassar devido à sua instrução limitada, debilidade física e o medo de que Deus de algum modo a houvesse castigado com aquela terrível aflição física (referia-se à pedrada). Tudo isso se tornou a “angustia secreta” que ela fechava a sete chaves em seu coração solitário. Anos escutando sermões sobre um “inferno de fogo” gravaram-lhe na alma uma falsa imagem de Deus. O Deus de Ellen era o governante Celestial, mas será que era seu amigo”?

“Dois sonhos e um conselho pastoral dado na hora certa tornaram a vida da jovem Ellen o momento decisivo que estabeleceu o curso do resto de sua vida pelos próximos 75 anos e sua missão mais urgente era dizer a verdade sobre o caráter de Deus”.

“A compreensão recém-encontrada – de que Deus é como Jesus, seu melhor amigo – estimulou-a a compartilhar suas descobertas e gratidão com outros: ‘enquanto relatava minha experiência, pressenti que ninguém poderia resistir à evidência do amor perdoador de Deus que em mim realizara uma mudança tão maravilhosa”. Essa nova concepção de Deus transformou a vida de Ellen White.

É interessante notar que nas paginas de seu clássico livro, “o Caminho a Cristo” ela revela o amor de Deus de maneira simples e objetiva: “o único modo de crescermos na graça é cumprir sem qualquer interesse próprio a tarefa que Cristo nos ordenou fazer e nos empenhar, na medida de nossa capacidade em ajudar e abençoar os que necessitam do auxilio que podemos lhes dar. A força se desenvolve pelo exercício; a atividade é a própria condição de vida. Os que procuram manter a vida cristã aceitando passivamente as bênçãos que lhes são conferidas pelos meios da graça, nada fazendo por Cristo, estão simplesmente procurando comer para viver, sem trabalhar. No mundo espiritual, assim como no mundo natural, isso resulta sempre em degeneração e ruína. O homem que se recusa a exercitar seus membros em breve perde a capacidade de usa-los. Assim, o cristão que não usa as faculdades que Deus lhe Deus, não só deixa de crescer em Cristo, como também perde a força que já possuía”.

Em outra página ela declara: "Deus nos fala por meios das ações de sua providencia, e pela influência de seu Espírito sobre o coração. No ambiente em que vivemos, nas circunstancias que nos rodeiam, nas mudanças que diariamente ocorrem ao nosso redor, podemos encontrar preciosas lições, desde que o nosso coração esteja aberto para observá-las”. A graça é estendida a todo aquele que a busca de maneira sincera, Deus em seu infinito amor concede para cada filho seu essa dádiva. As misericórdias do senhor são renovadas dia a pós dia, incessantemente. O perdão divino é a restauração, a cura, uma oportunidade outorgada a todo aquele que aceita o “julgo” do Senhor.

“Os que confiam inteiramente na justiça de Cristo, olhando para Ele com viva Fé, conhecem o Espírito de Cristo e são conhecidos por Cristo. Fé simples habilita o crente a realmente considera-se morto para o pecado, mas vivo para Deus em Cristo Jesus. Somos salvos pela graça, mediante a fé; e isto não vem de nós, é dom de Deus”, independente de seus próprios esforços, graça e misericórdia são oferecidas a todos os homens dia a dia.

Vivendo a cada dia pelo Espírito Santo.

“Sem a morte de Jesus, não haveria salvação para ninguém; ao mesmo tempo, sem o Espírito para nos guiar, regenerar e capacitar, não haveria salvação pessoal”. A obra realizada pelo Espírito Santo na vida do Crente é algo de estremo valor. Sem ele seria impossível ter uma vida espiritual diária em comunhão com Deus. É através dele que o indivíduo recebe os ensinamentos de Cristo.

É por meio do Espírito que o coração é purificado e fortalecido. O Espírito Santo é o embaixador de Deus aqui na terra para conosco, Paulo a respeito disso expressa a seguinte idéia: “Também o Espírito semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza; porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis”.

“Sob a direção do Espírito, a mentalidade celestial será derramada no molde terrestre de ação e comportamento”. O cristão decide não seguir seus próprios impulsos e satisfazer suas inclinações, mas seguir a vontade do espírito. A mudança não ocorre automaticamente, a medida que a pessoa conhece a Cristo dia a dia, sua consciência vai sendo despertada para o que é certo, e o Espírito guia-o no caminho da verdade. “Nós que estávamos mortos no pecado (Efésios 2:1), agora somos, pelo Espírito, mortos para o pecado e vivos para Deus (Romanos 6:11)”.

A vida pelo espírito requer submissão, sacrifício e morte para o eu; mas se o Espírito habitar no homem, manterá diante do mesmo o maravilhoso sacrifício de Jesus em seu favor. Logo, ser santificado não é deixar de praticar obras da carne, e sim ser “separado” para Deus, viver para Ele em fé e submissão.

A pessoa nascida de cima possui negação diária do próprio eu (Lucas 9:23) sacrifício próprio (Romanos 12:1) e rendição dos desejos pecaminosos (Romanos 6:19). Assim, o indivíduo que entrega sua vida ao Espírito Santo diariamente, deixará que ele o guie na senda do bem, e não para a vontade da carne. “Faze-me ouvir, pela manhã, da tua graça, pois em ti confio; mostra-me o caminho em que devo andar; porque a ti elevo a minha alma” (Salmos 143:8).

Pr. Célio José Longo
Evangelista na Região Central do Paraná (ACP)

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