domingo, 8 de julho de 2012

O livro que salvou um casal da morte

Era tarde de sábado do dia 24 de março de 2012 e num bairro de classe C no município de Fazenda Rio Grande, na região Metropolitana de Curitiba, o casal Luiz Carlos e Maristela Baldan vivia mais um dia nebuloso. Tinha sido assim nos últimos meses por conta de uma somatória de fatores, entre os quais estavam problemas conjugais – pois ambos haviam tido no passado um casamento frustrado – e o distanciamento dos filhos, frutos da relação matrimonial anterior. O afastamento do trabalho, em função de problemas psicológicos tornavam os dias ainda mais amargos. Desligamento, aliás, que tinha levado os dois a ficarem impossibilitados para o trabalho. Maristela, que servia como copeira em um hospital psiquiátrico da capital paranaense agora passava 24 horas em casa. Luiz Carlos, motorista de ônibus, também havia recebido “férias” por tempo indeterminado porque comentara com um colega de serviço que naquele dia não morreria sozinho, mas levaria todos os passageiros do ônibus com ele.

A cada dia novos pensamentos aterrorizavam Luiz Carlos e Maristela. Com ela, a situação era ainda pior. “O único pensamento que vinha à minha mente era o de tirar a própria vida”, conta. Reclinar a cabeça sobre o travesseiro e dormir tranquilo já não era uma realidade há muito tempo naquela casa. Deixar a esposa sozinha era dar margem para que os planos arquitetados na mente de Maristela fossem colocados em prática. Numa noite, ao pegar no sono por alguns minutos, Luiz Carlos não percebeu que ela saíra pelas ruas em busca de uma oportunidade para por um ponto final à própria existência. Quando se deu conta, Maristela já caminhava nas proximidades da rodovia Régis Bittencourt na tentativa de se jogar na frente de um caminhão. “Graças a Deus, meu marido chegou a tempo de me salvar porque eu estava decidida que iria cometer suicídio”, relembra.

Vivendo à cada dia um novo drama, ambos sobreviviam às custas de remédios. Maristela Baldan tomava remédios fortes, como antidepressivos e antialucinógenos. “Via bichos dentro de casa que queriam me pegar. Para mim, diante de tantos tormentos, tirar a vida seria um alívio. Por isso, fiz várias tentativas”, relata, enquanto mostra caixas cheias de medicamentos.

Certa vez, recorreu à uma igreja para procurar ajuda. Pediu, então, ao líder religioso local que fizesse uma oração pedindo que Deus solucionasse o seu problema. Foi uma experiência ainda mais frustrante. “Ao invés de orar, ele me deu um envelope. Disse que eu deveria ir para casa e retornar com uma oferta. Depois disso, segundo ele, Deus iria resolver todos os meus problemas. Falei que não tinha dinheiro quase nem para a comida, mas ele insistiu pedindo que vendesse alguma coisa em casa para levantar recursos”, recorda. Decepcionada, afundou ainda mais. “Não estava mais na lama, mas abaixo dela, onde ninguém podia nos ver”, pontua Maristela.

Mas naquele sábado, algo quebraria essa rotina e um acontecimento pitoresco provaria que a salvação estava por chegar e que alguém se importava com eles. Um barulho no portão chamou a atenção de Luiz Carlos. O ruído indicava que alguém havia depositado algo na caixa de correio. Ao sair, viu que a pessoa já estava prestes a entrar no carro para ir embora. Tentou chamá-la para que explicasse do que se tratava, enquanto pegava um cartão retirado da caixa postal que dizia: “Estamos Orando Por Você”.

Queria saber quem estava orando por eles e por quê. À tempo, a estranha recuou para dar explicações. Durante o diálogo, Luiz desabafou e fez um pedido: “Estamos precisando de ajuda, moça. Vocês poderiam orar conosco?”, pediu. A professora da rede municipal em Curitiba, Antônia Aparecida da Silva, viu uma oportunidade para falar da esperança que estava procurando levar para a população. Ela fazia parte de um grupo de cerca de seis mil voluntários da região Sul do Paraná que participavam de um projeto de distribuição de um milhão de exemplares do livro “A Grande Esperança” apenas nesta região do Estado. A entrega do cartão de oração consistia numa das primeiras etapas da campanha. “Para mim foi muito gratificante porque Deus me trouxe para o lugar certo”, frisa Antônia.

Naquele primeiro contato, ficou combinado que a professora voltaria para conversar mais com a família e estudar a Bíblia com o casal, fato que animou Luiz Carlos. Na semana seguinte, Antônia retornou com um presente: o livro “A Grande Esperança” e um convite para uma série de conferências que se iniciava na região.

Depois da leitura daquele livro o casal não seria mais o mesmo. Cativados pelo conteúdo da obra, eles perceberam que a esperança ainda podia ressurgir em seus corações, apesar de todas as dificuldades. Não conseguiam mais parar de ler o livro. Por meio destas páginas eles encontraram alicerce para um recomeço e tomaram a decisão pelo batismo, cerimônia que foi realizada no dia 03 de abril de 2012. “Eu me batizei nas águas, eu nasci denovo. Foi por meio desse livro que vi que havia esperança pra nós”, garante Maristela, emocionada.

Atualmente, quem chega na residência da família testemunha um clima diferente: alegria, vontade de viver, gratidão. Seu hobby agora é cantar músicas que traduzem a experiência milagrosa pela qual passaram. Uma de suas preferidas diz: “Grande é o Teu nome, oh Deus de Israel, pois Tu criaste a Terra e o Céu. Hoje Tua glória invade meu ser. Aleluia!”. Além disso, sua agenda tem sido marcada por convites para compartilhar sua história em igrejas da região.

A esperança não apenas foi recuperada, mas ganhou um novo significado para a família Baldan. “Essa palavra hoje é tudo para nós”, enfatiza Luiz Carlos, enquanto bate no peito sobre a logomarca do projeto “A Grande Esperança” estampada na camiseta. “Ter o Senhor Jesus é maravilhoso”, complementa Maristela. A rotina da família mudou completamente. Às três da madrugada eles têm um compromisso sagrado. É a hora da oração diária para começar o dia com Deus. “Antes não orávamos mais. Hoje, quando acordamos, caímos de joelho”, realça Luiz.

 Na cabeceira da cama, além da Bíblia e outras literaturas da Igreja Adventista, Maristela e Luiz Carlos mantém em evidência o livro que trouxe salvação à tempo para eles. Antônia, a professora que entregou a literatura, hoje é considerada da família, uma amiga, alguém que trouxe o que mais precisavam: Esperança. “Acho que esse é o nosso trabalho, encontrar as pessoas onde elas estão, buscá-las onde elas estão”, conclui.

Seguindo os passos da professora, ambos agora estão envolvidos com a missão de distribuir o livro que os alcançou e que também poderá mudar os rumos da vida de outras pessoas que passam por dramas semelhantes.

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