segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Mudança de Paradigma

“E aconteceu que, indo eles falando entre si, e fazendo perguntas um ao outro, o mesmo Jesus se aproximou, e ia com eles. Mas os olhos deles estavam como que fechados, para que o não conhecessem” Lucas 24:15-16

O termo "mudança de paradigma" tem se tornado um clichê. Mas ele descreve adequadamente as profundas mudanças que a igreja cristã tem experimentado no curso do século XX. Um paradigma é um modelo, uma forma que o ser humano enxerga alguma coisa, as regras de um jogo, a forma como as pessoas percebem a realidade ao seu redor. Em nosso contexto de cristianismo, em alguns setores poderíamos chamar de mudança de paradigma, ou seja, mudança de concepção básica. Uma ideia segundo Thomas Klun (1962) que contrasta com a ciência normal das coisas. Ir de encontro algumas tradições, rituais e mitos que criamos sem saber às vezes qual a verdadeira raiz. Quando um novo paradigma vem a substituir o antigo, ocorre aquilo que Kuhn (1962) chama de revolução científica.

Mark Twain certa vez afirmou “Você não pode depender dos seus olhos se sua imaginação está fora de foco”, é uma grande verdade quando se trata de algumas mudanças que exige mudança. Há uma grande necessidade de mudança em nossa visão e também imaginação de forma que possa enxergar além das nossas limitações. Isto deve acontecer em nossas igrejas. Passamos tempo praticando certas coisas que não tem significado algum. A igreja precisa ir além do que ela é como igreja. Esta mudança ocorreu na vida dos discípulos que caminhavam por Emaús. Muitas vezes estamos cegos sem enxergar o que Deus está nos mostrando. Ele caminha ao nosso lado e está pronto para nos mostrar o caminho. Jesus juntou-se a eles, embora eles não fossem capazes de reconhecê-Lo em primeiro lugar. Partiremos o pão e oraremos para que Deus possa abrir nossos olhos para enxergar o Salvador ressurreto e a sua igreja em novos caminhos.

Se o evangelho deve ter um efeito transformador sobre a nossa sociedade, então, a Igreja terá que desenvolver uma infinidade de estratégias missionárias que abraçam uma variedade de expressões de comunidade e liderança. O autor Murray (2000 p.8 e 9) adverte que as novas igrejas e as novas perspectivas teológicas que surgirão terão de contrariar a tendência para a ossificação eclesiológica que se transforma em estruturas críticas. O que será fundamental para estes modelos é que a missão envolve a melhoria da vida dos outros. Isto significa entrar nas histórias de necessidades da comunidade. É uma aproximação encarnada na medida em que significa estar preparado para deixar nossos próprios gostos e preferências, a fim de relacionar significativamente a diferentes contextos em mudança.

Se a nossa missão em contexto pós-moderno deve ser significativa e eficaz, vamos então ter que descobrir na nossa geração o que William Temple (STOTT, 1992 p.106) quis dizer sobre o significado da Igreja dizendo “a igreja é a única organização cujo alvo é o bem-estar daqueles que não fazem parte dela”. A igreja existe para alcançar o que estão fora dela. O missiólogo Lesslie Newbigin (1989, p. 233) amplia esta concepção descrevendo o desafio para as congregações locais dizendo que ela deve "renunciar uma preocupação introvertida por suas próprias vidas e reconhecer que ela existe para o bem daqueles que não são membros, como sinal e instrumento da antecipação da graça redentora de Deus para a toda a vida da sociedade”.

Em um mundo moderno a igreja precisa entender a sua posição, Rob Bell (2008, p. 165) pastor de uma das igrejas que mais cresce nos Estados Unidos, Mar Hill, declara que "a Igreja não existe para si mesma, mas existe para servir o mundo. Não é, em última análise sobre a igreja, e sim sobre todas as pessoas que Deus quer abençoar através da igreja. Quando a igreja perde de vista isso, ela perde o seu coração”. Estamos vivendo em tempos maravilhosos, cheios de oportunidades quase sem paralelo. Mas temos que pensar de forma diferente. Temos de agir com ousadia. E devemos ser agentes de mudança. Ellen White (1997 p. 105) afirma que "descobrir-se-ão meios para alcançar os corações. Alguns dos métodos usados nesta obra serão diferentes dos que foram usados na mesma no passado". Portanto, uma mudança de paradigma deve acontecer em nossas igrejas.

Pr Everaldo Carlos
www.preveraldocarlos.com 

Referências:

  1. BELL, Rob. Repintando a igreja: uma visão contemporânea. São Paulo: Vida, 2008.
  2. BOSCH, David J. Missão transformadora: mudanças de paradigma na teologia da missão. Tradução de Geraldo Korndorfer, Luís M. Sander. 3. ed. São Leopoldo: Sinodal, 2009.
  3. KUHN, T. S. The Structure of Scientific Revolutions. 2 ed., enlarged. Chicago and London: University of Chicago Press 1970.
  4. MEEKS, Wayne A. The Origins of Christian Morality: The First Two Centuries New Haven: Yale University Press, 1993.
  5. Murray, S. & Wilkinson-Hayes, A. Hope for the Margins. Grove Books Ltd., Cambridge, 2000.
  6. Newbigin, L. The Gospel in a Pluralist Society. London: S.P.C.K, 1989.
  7. SCHWARZ, Christian A; RIBEIRO, Josué. Mudança de paradigma na igreja: como o desenvolvimento natural da igreja pode transformar o pensamento teológico. Curitiba: Evangelica Esperanca, 2001.
  8. STOTT, John R. W; STEUERNAGEL, Sileda Silava. Ouça o Espirito, ouça o mundo. São Paulo: ABU, 1992.
  9. WHITE, Ellen Gould. Evangelismo. Tradução de Octavio E Santo, Raphael de Azambuja Butler. 3.ed. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 1997.

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