sexta-feira, 29 de março de 2013

A Sensibilidade do Centurião

Marcos 15:33-39 


OBJETIVO DO SERMÃO: Mostrar que o Calvário é o momento em que a graça é oferecida a todo pecador.

INTRODUÇÃO:

Li uma fábula que contava o seguinte: Um jumentinho voltou para casa todo contente e disse à sua mãe:

– Fui à cidade hoje, mamãe, e quando lá cheguei, fui muito aplaudido, a multidão gritava alegre, as pessoas estendiam seus mantos pelo chão para eu passar... Todos, estavam contentes com a minha presença. Então a mãe do jumentinho lhe perguntou:

– Você estava sozinho, meu filho? E o jumentinho disse:

– Não, estava levando um homem, Seu nome é Jesus.

– Filho, volte à cidade, mas agora vá sozinho, aconselhou a mãe.

Quando retornou à cidade, todos que passavam por ele, fizeram o inverso. Maltratavam, xingavam e até batiam nele. Ao voltar para casa, disse à sua mãe.

– Estou muito triste, mamãe, pois nada aconteceu comigo. Nem palmas, nem mantos, nem honra... Só apanhei, fui xingado e maltratado. Eles não me reconheceram, mamãe... Indignado, o jumentinho lhe perguntou:

– Por que isso aconteceu comigo?

A mãe respondeu: – Meu filho querido, você sem Jesus é apenas um jumentinho. E isso é verdade, da mesma forma, sem Cristo não passamos de pecadores perdidos!

I – UMA NOVA VISÃO

Qual é a visão que você tem do Gólgota? (Mateus 27:33; Marcos 15:22). Gólgota é um “nome grego, derivado do aramaico gulgata e do hebraico gulgoleth, que significa caveira – nome do lugar, perto de Jerusalém e fora dos muros, onde Cristo foi crucificado. Alguns afirmam que esse era o monte onde se executavam os condenados à morte de cruz” (John D. Davis; Dicionário da Bíblia, p. 253).

Podemos dizer que o Gólgota era a arena dos romanos, a câmara de gás dos nazistas, o inferno da Terra e a sala de espetáculo do diabo, porém, foi justamente nesse lugar hediondo que se cumpriram as palavras do salmista Davi: “Encontraram-se a graça e a verdade, a justiça e a paz se beijaram” (Salmo 85:10).

O que aconteceu naquela sexta-feira à tarde? Naquela sexta-feira, esse monte foi adornado com tanta grandeza, que um soldado pagão, embrutecido em sua natureza, não pôde conter-se e confessou: “Verdadeiramente este Homem era o Filho de Deus” (Marcos 15:39).

Você não fica impressionado com o fato de que até um pagão, na hora da maior derrota aparente de Jesus, viu algo extremamente incomum nesse acontecimento, reconhecendo-O como um Ser divino?

Centurião era o título dado para um oficial do exército romano que comandava um grupo de cem soldados. Para galgar esse posto, era necessário ser um homem experimentado em muitas batalhas. Esse centurião, que a tradição dá o nome de Longinus ou Petronius, não era diferente dos demais. Os centuriões eram geralmente homens rudes, acostumados a matar e a ver a morte como algo comum.

Esse centurião era o comandante do pelotão de execução de Pilatos. Sem dúvida, ele conduziu milhares de sentenciados à cruz, mas, naquela sexta-feira, ele viu algo incomum: Jesus fez a diferença na vida dele. Alguns comentaristas acham que essa foi uma confissão sem importância. Russel Norman. Champlin, por exemplo, diz o seguinte: “Ele não poderia saber coisa alguma sobre o que significa o termo “Filho de Deus” com respeito a Jesus Cristo” (O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo, v. 1, p. 639).

O próprio Champlin acrescenta: “O centurião simplesmente ficou extremamente comovido com o que viu, tendo compreendido que algum acontecimento prodigioso tivera lugar; e supondo que tivesse relação com o mundo dos deuses, o que provavelmente ele disse foi: ‘Em verdade, este era filho de um deus.’ E isso faria de Jesus apenas um herói, ou uma espécie de ‘semideus’, homem que tivesse pai que era deus e mãe humana, ou mãe deusa e pai humano, conforme os ditos da mitologia contemporânea” (Ibid., p. 797).

Se lermos o mesmo texto no livro de Lucas, seremos forçados a discordar de Champlin. “Vendo o centurião o que tinha acontecido, deu glória a Deus, dizendo: Verdadeiramente, este Homem era justo” (Lucas 23:47).

Essa declaração revela muita sensibilidade. Se um soldado pagão e endurecido pôde falar assim a respeito de Jesus, então, não é difícil aceitar Seu caráter messiânico e Sua missão divina, tendo os evangelhos sido escritos nesse sentido. Mas o que o centurião viu que mudou a sua concepção em relação a Jesus? Ele levou para o Monte da Caveira Alguém que julgava culpado e que deveria ser crucificado. Agora, referindo- se a essa mesma Pessoa ele diz: “Esse Homem era justo” – ou seja, inocente.

II – UMA VISÃO DA GRAÇA

O que o centurião viu? Ele teve uma visão da graça! A escritora Ellen G. White descreve com palavras colossais o que o centurião viu:

“A inanimada natureza exprimiu sua simpatia para com seu insultado e moribundo Autor. O Sol recusou contemplar a espantosa cena. Seus raios plenos, brilhantes, iluminavam a Terra ao meio-dia, quando de súbito, pareceu apagar-se. Completa escuridão, qual um sudário, envolveu a cruz. ‘Houve trevas em toda a Terra até à hora nona.’ Não houve eclipse ou outra qualquer causa natural para essa escuridão, tão espessa como a da meia-noite sem luar nem estrelas. Foi miraculoso testemunho dado por Deus, para que se pudesse confirmar a fé das vindouras gerações” (O Desejado de Todas as Nações,1990, p. 753).

“Parecia haver baixado sobre o Calvário um silêncio sepulcral. Inominável terror apoderou-se da multidão que circundava a cruz. As maldições e injúrias cessaram a meio das frases iniciadas. Homens, mulheres e crianças caíram prostrados por terra. De quando em quando irradiavam da nuvem vívidos clarões, mostrando a cruz e o crucificado Redentor. Sacerdotes, príncipes, escribas, executores bem como a turba, todos pensavam haver chegado o momento de sua retribuição. Depois de algum tempo, murmuravam alguns que Jesus desceria agora da cruz. Tentavam outros, às apalpadelas, achar o caminho de volta para a cidade, batendo no peito e lamentando de temor” (Ibid., p. 754).

“À hora nona, ergueu-se a treva de sobre o povo, mas continuou a envolver o Salvador. Era um símbolo da agonia e do horror que pesavam sobre o coração dEle. Olho algum podia penetrar a escuridão que rodeava a cruz, e ninguém podia sondar a sombra mais profunda ainda que envolvia a sofredora alma de Cristo. Os furiosos relâmpagos pareciam dirigidos contra Ele ali pendente na cruz. Então Jesus clamou com grande voz: ‘Eli, Eli, lama sabactâni?’, que, traduzido é: ‘Deus Meu, Deus Meu, por que Me desamparaste?” (Idem).

“De repente, ergueu-se de sobre a cruz a sombra, e em tons claros, como de trombeta, tons que pareciam ressoar por toda a criação, bradou Jesus: ‘Está consumado.’ ‘Pai, nas Tuas mãos entrego o Meu espírito.’ Uma luz envolveu a cruz, e o rosto do Salvador brilhou com uma glória semelhante à do Sol. Pendendo então a cabeça sobre o peito, expirou” (Ibid., 756).

“Jamais testemunhara a Terra uma cena assim. A multidão quedava- se paralisada e, respiração suspensa, fitava o Salvador. Baixaram novamente as trevas sobre a Terra, e um surdo ruído, como de forte trovão, se fez ouvir. Seguiu-se violento terremoto. As pessoas foram umas sobre as outras, amontoadamente. Estabeleceu-se a mais completa desordem e consternação. Partiram-se a meio os rochedos nas montanhas vizinhas, rolando fragorosamente para as planícies. Fenderam- se sepulcros, sendo os mortos atirados para fora das covas. Dir- -se-ia estar a Criação desfazendo-se em átomos. Sacerdotes, príncipes, soldados, executores e o povo, mudos de terror, jaziam prostrados por terra” (Idem).

“Ao irromper dos lábios de Cristo o grande brado: ‘Está consumado’, oficiavam os sacerdotes no templo. Era a hora do sacrifício da tarde. O cordeiro, que representava Cristo, fora levado para ser morto. Trajando o significativo e belo vestuário, estava o sacerdote com o cutelo erguido, vivamente interessado, o povo acompanhava a cena.

Mas eis que a Terra treme e vacila; pois o próprio Senhor Se aproxima. Com ruído rompe-se de alto a baixo o véu interior do templo, rasgado por mão invisível, expondo aos olhares da multidão um lugar dantes pleno da presença divina. Ali habitara o shekinah. Ali manifestara Deus Sua glória sobre o propiciatório. Ninguém, senão o sumo sacerdote, jamais erguera o véu que separava esse compartimento do resto do templo. Nele penetrava uma vez por ano, para fazer expiação pelos pecados do povo. Mas eis que esse véu é rasgado a dois. O santíssimo do santuário terrestre não mais é um lugar sagrado” (Ibid., p. 756, 757).

“Tudo é terror e confusão. O sacerdote está para matar a vítima; mas o cutelo cai-lhe da mão paralisada, e o cordeiro escapa. O tipo encontra o antítipo por ocasião da morte do Filho de Deus. Foi feito o grande sacrifício. Acha-se aberto o caminho para o santíssimo. Um novo, vivo caminho está para todos preparado. Não mais necessita a pecadora humanidade esperar a chegada do sumo sacerdote. Daí em diante, devia o Salvador oficiar como Sacerdote e Advogado nos Céus dos Céus” (Idem).

Dá para entender agora o que o centurião viu? Sua exclamação não me parece uma conclusão humana. Deus deu a esse centurião uma visão de Sua graça!

III – OS EFEITOS DA VISÃO

Em algum momento, Deus dá a todos os Seus filhos uma visão de Sua graça.

• Nem todos os homens conseguem entender que graça é o perdão de Deus creditado na vida dos que se arrependem.

• Nem todas as pessoas conseguem entender que são beneficiadas diariamente pela graça de Deus.

• Nem todas as pessoas conseguem entender que existem dois tipos de graça.

Existe a graça que nos mantém vivos para essa vida. Essa graça nos permite falar, ver, ouvir, sorrir, brincar, comer, trabalhar, dormir, etc. Ela se chama graça temporal. Mas existe outra graça, a graça do Gólgota. Uma vez aceita, essa graça faz dos homens filhos de Deus e herdeiros da vida eterna. Muitas pessoas não entenderam ainda que no Gólgota, quando Jesus disse: “Está consumado”, Ele disse: “Está pago. Está quitado. Ninguém deve mais nada.” Então, o que o evangelho faz por nós? Ele nos convida a tomar posse da graça!

Algumas pessoas oram assim: “Deus, perdoa meus pecados.” Mais do que um simples perdão, pecado é pagamento de dívida. Os horrores da cruz mostram que todos os pecados da humanidade já foram pagos. A Oração do Senhor nos diz: “perdoa as nossas dívidas” (Mateus 6:12).

Dívida é confissão de culpa. Como nossa culpa Jesus já pagou, agora só precisamos nos apossar do crédito. E como nos apossamos desse crédito? Aceitando Jesus como nosso Senhor e Salvador. Como fazemos isso? Primeiro devemos nos arrepender, depois devemos confessar nossa culpa e aceitar o crédito de Seu sacrifício. Depois disso, como diz o apóstolo Paulo, devemos andar em “novidade de vida”, ou seja, o que fazíamos antes não faremos mais. (Romanos 6:4-14; Colossenses 3:5-11). “O evangelho de Jesus Cristo é graça compensada. Graça efetivada.” (www.pazemjesus.com.br – Benedito Muniz).

A Bíblia não nos fala se o centurião entendeu toda a aula sobre a graça, que lhe foi ministrada no Calvário. A Bíblia não revela quanto do percentual da graça o centurião romano conseguiu compreender, mas deixa claro que ele entendeu o suficiente para ser um novo homem.

CONCLUSÃO

Penso não ser produtivo, a essa altura, tentar argumentar se o centurião tornou-se ou não um cristão.

Creio que essa é uma discussão desnecessária. Há quem diga que sim, há quem diga que não.

Não temos como saber hoje. Um dia todos os salvos pela graça saberão. O fato é que aquele centurião teve a oportunidade de ser profundamente marcado pela esperança da graça salvadora de Cristo. Ele esteve ao pé da cruz, bem junto a Cristo, e isso o aproximou de Jesus o suficiente para ser impressionado a dar tão grande testemunho.

Não podemos responder nada sobre a salvação do centurião, mas você pode responder hoje sobre o que fará com a salvação que lhe está sendo oferecida agora!

Está você bem junto à cruz e reconhece o maior sacrifício de todos os tempos? Está perto o suficiente de Jesus para ser impressionado por Sua graça, por Seu amor, pelas MARCAS DE ESPERANÇA?

APELO:

Jesus revelou hoje a Sua graça por meio da Palavra. Você também será sensível ao que foi revelado? Você quer se apossar da graça eterna hoje?

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