terça-feira, 26 de março de 2013

A Visão de Bartimeu


Marcos 10:46-52



OBJETIVO DO SERMÃO: Ressaltar a importância da visão espiritual.

INTRODUÇÃO:

O texto bíblico que vamos estudar hoje apresenta o pedido de um homem cujo maior desejo em sua vida era voltar a enxergar (verso 51). Esse relato encontra-se registrado nos evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas.

Escolhemos o evangelho de Marcos porque apresenta esse episódio numa sequência muito interessante. Parece que nesse evangelho Jesus deseja ressaltar que há outros tipos de cegueira.

• Nos versos 2-12, Ele denuncia a cegueira dos fariseus em relação à questão do divórcio.
• Nos versos 13-16, reprova a cegueira dos discípulos quanto ao valor das crianças.
• Nos versos 17-22, corrige a cegueira do jovem rico.
• Nos versos 23-31, desaprova os cegos que confiam nas riquezas.
• Nos versos 32-34, tenta remover a cegueira dos discípulos quanto à Sua morte e ressurreição.
• Nos versos 35-45, reprova a cegueira de Tiago e João quanto ao sentido de Sua missão.

Marcos também nos ajuda a enxergar que essas são as últimas horas de Cristo na Terra, mas é nos versos 46-52 que ele narra o milagre do cego de Jericó, o último milagre antes da cruz. Será que Marcos reuniu todos esses episódios para demonstrar que há certa relação entre a cegueira espiritual e a cegueira física?

I – UM CEGO HUMILDE

Os judeus daquela época pensavam que uma deficiência física desse tipo era resultado do pecado cometido pelo próprio indivíduo ou por seus pais (João 9:2).

Não é difícil imaginar que Bartimeu também fosse visto como portador de uma maldição divina. Talvez tenha sido por isso que os discípulos o ignoraram e mandaram que ele se calasse (verso 48). Aqui os discípulos também manifestaram certo tipo de cegueira. Bartimeu era cego e mendigo, e dependia da benevolência alheia. Estava sempre à beira de algum caminho, com as mãos estendidas para receber uma esmola. Sua alegria ou sua tristeza dependiam dos outros. Ficava alegre quando ganhava um pão, ficava triste quando não ganhava uma moeda. Sua felicidade dependia dos outros.

Não devemos colocar nossa felicidade nas mãos de outras pessoas. Não existe um caminho para a felicidade, a felicidade é o Caminho. Assim, o caminho da felicidade é Jesus Cristo. O pecado trouxe humilhação à vida das pessoas, e em relação aos cegos até parece que eles nunca têm nome. Já observaram isso?

Pelo relato de Marcos, parece que esse cego também não tem nome. Bartimeu não é o seu nome. Bartimeu é um título proveniente do Aramaico: “Bar”, que significa filho, e “Tim’ai” que era o nome do seu pai. Segundo Marcos, Bartimeu significa: “filho de Timeu” (John D. Davis). Bartimeu, porém, tinha algumas virtudes, e uma delas era a humildade. Jesus deu um título para os humildes de coração, o título de “Bem-aventurados..., pois deles é o Reino dos Céus” (Mateus 5:3). Ele vivia nessa situação humilhante, mas não estava satisfeito com a sua condição.

II – UM CEGO CORAJOSO

Bartimeu soube aproveitar a única chance que surgiu em sua vida. Ele enxergou primeiro com o coração. Num ato de coragem, gritou mais alto ainda quando a ordem dada era para se calar. Só os corajosos conseguem clamar pelo nome de Jesus sob os protestos do mundo.

Ele ouviu falar de Jesus e não ficou estático, queria mudar sua própria história. Quando ouviu falar que era Jesus que estava Se aproximando, começou a gritar: “Jesus, Filho de Davi, tem compaixão de mim!” (verso 47).

Era cego, mas não era surdo. Percebeu o “barulho” da multidão e sentiu que algo especial estava acontecendo. Alguém importante ia passar. Sentiu no coração um ardor diferente e viu ali uma chance nova para a sua vida. Um forte ímpeto de coragem invadiu o seu coração, e Ele percebeu que, enfim, alguém poderia ajudá-lo.

O evangelista Lucas, ao narrar esse episódio, informa que Bartimeu, quando ouviu o barulho da multidão, perguntou o que estava acontecendo. “Informaram-no de que era Jesus, o Nazareno, que por ali passava” (citado também em Lucas 18:35-43). Lançando mão de toda vontade da alma, ele decidiu se agarrar com todas as forças àquela oportunidade. Bartimeu não sabia, mas aquela era a última chance de sua vida.

A sua imagem de um cego mendigo à beira do caminho não havia sido suficiente para fazer aquele Homem importante parar. Talvez existisse então outro modo de contar com a Sua atenção. Revestiu-se de coragem e começou a gritar. Diz o texto que alguns se incomodaram com o seus gritos e mandaram que se calasse (verso 48). Mas ele não deu ouvidos. Tem gente melindrosa que por qualquer motivo se escandaliza e desiste de seguir a Jesus.

Mas Bartimeu não cedeu, não desistiu, não desanimou e foi recompensado por sua perseverança. Ele não podia ver Jesus, todavia, ele creu! Fez melhor do que Tomé, tornando-se assim um tipo dos crentes de hoje.

“Bem-aventurados os que não viram e creram” (João 20:29). Diante da proibição, ele esboçou uma coragem extra: “... mas ele cada vez gritava mais” (verso 48). Onde ele encontrou essa força extra?

A maioria das pessoas teria se calado. A força do seu grito continha toda uma vida sem sentido, sem direção, sem luz. Era um grito de angústia e de esperança por uma nova chance, um grito de quem está cansado de viver nas trevas.

III – UM CEGO COM FÉ

Quando Bartimeu chamou Jesus de “Mestre”, usou o termo Rabboni, que significa “meu mestre”. As únicas pessoas nos Evangelhos que também chamaram Jesus de Rabboni foram Maria e Natanael (João 1:49 e 20:16). Esse termo exigia uma dose de fé extra.

O mendigo chamou Jesus duas vezes pelo nome de “Filho de Davi”, um título com conotação messiânica. O fato de ele usar um título estritamente messiânico (verso 47) demonstra em certo grau que ele reconhecia Jesus como o Messias prometido. Entretanto, o fato de usar a expressão Rabboni demonstra que ele possuía uma grande quantidade de fé.

O texto nos diz que Jesus parou para dar atenção ao clamor do cego, sinal do valor que Ele deu àquele homem humilhado, que não valia nada para o povo de Jericó e nem mesmo para os Seus discípulos. É interessante notar que Jesus não atendeu diretamente ao chamado, mas deu aos discípulos a oportunidade de se redimirem, ao enviá-los até Bartimeu com uma mensagem de fé: “Ele te chama! Levanta-te, tem bom ânimo.” (verso 49). Nós te repreendemos, mas Ele não! Ele percebeu a tua necessidade, Ele quer te ajudar! Levanta-te! Sai da margem e entra no Caminho. Anda! Movimenta-te! Faze a tua parte! Coragem! Seja bravo! Seja ousado! Não tenha medo de lutar pelo Céu.

Diante do chamado, Bartimeu deixa a sua capa, símbolo do pecado que encobria a sua história, que encobria a mentira sobre si mesmo, as desculpas pelos erros, a pena de si mesmo, seu orgulho e sua soberba. Ele deixa a “sua máscara”, seu “falso porto seguro” que, na verdade, em vez de protegê-lo naquela hora, iria impedi-lo de caminhar, de seguir verdadeiramente na direção certa.

Jesus conhece o nosso coração, sabe bem quem somos. É preciso estar de coração aberto diante dEle. A nossa cura, a nossa libertação, dependem disso. Podemos até nos disfarçar diante dos outros, mas diante de Deus é preciso ser verdadeiros, reconhecer nossos erros e limites, ser humildes de espírito (Mateus 5: 30).

Ele não possuía qualquer outro bem, não tinha nada além da capa que lhe fora muito útil, servia-lhe de cobertor. No entanto, em vista do chamado de Jesus, ela perdeu o seu valor de estimação. Bartimeu não fazia mais caso dela. Encontrou algo superior e estava disposto a abrir mão do passado.

Podemos observar aqui certo contraste com a atitude do jovem rico que, apegando-se às suas riquezas, virou as costas para Jesus, abrindo mão do Reino. Bartimeu, no entanto, estava disposto a trocar tudo por Jesus. O texto bíblico diz: “...levantou-se de um salto e foi ter com Jesus” (verso 50). Não basta levantar-se, o esforço deve ser maior, dar um salto. Esse é o salto da fé. Esse salto representa seu entusiasmo diante da oportunidade. Significa seu desejo por um novo presente. Significa crer em algo melhor. Deus oferece algo melhor para quem está disposto a saltar, a sair da zona de conforto. Esse salto representa uma decisão radical. Todo processo de conversão exige decisões radicais.

Finalmente, Bartimeu chegou até Jesus. Então, “perguntou-lhe Jesus: Que queres que Eu te faça?” (verso 51). Essa Pergunta promete o inimaginável. Essa pergunta promete um novo futuro. Pergunta semelhante foi feita a Salomão: “Pede-Me o que queres que Eu te dê” (I Reis 3:5). Salomão pediu sabedoria e recebeu o que pediu.

O paralítico do tanque de Betesda não soube responder a essa pergunta. Quando Jesus perguntou-lhe: “Queres ser curado?” (João 5:6), ele só pensou em suas impossibilidades. Mesmo assim foi curado porque Jesus lhe deu o benefício da graça. O cego respondeu: “Rabi! Que eu possa ver novamente!” Jesus lhe disse: “Vai, a tua fé te salvou!

No mesmo instante ele recuperou a vista...” (50-52). Podemos concluir pelo texto que Bartimeu não era cego de nascença. Jesus, porém, não se demorou no motivo da perda. Devolveu-lhe aquilo que ele havia perdido. Jesus tem poder para nos devolver o que perdemos, mas precisamos exercitar nossa fé.

Há um futuro glorioso reservado para quem tem fé. Você já parou para pensar que Jesus pode estar fazendo essa mesma pergunta a nós hoje: “O que é que você quer que Eu faça por sua vida e por você?” Dependendo de nossa resposta, Ele poderá abrir nossos olhos para que enxerguemos as maravilhas da Sua graça.

Recebida a bênção da cura, Bartimeu não foi embora para viver novamente a vida à sua maneira. O texto bíblico nos diz que ele passou a seguir Jesus caminho afora. Não viveria mais à beira do caminho, mas no Caminho. Não viveria mais como alguém excluído, mas como alguém incluído na Verdade e na Vida. A partir daquele momento, Jesus ocuparia o centro de sua existência. Ele não foi apenas iluminado, passou a seguir a Luz do mundo e tornou-se, pela graça, um portador de luz. Com perseverança contínua, seguiria seu Benfeitor por toda a vida. Viveria agora com o encanto de ter em sua vida as MARCAS DE ESPERANÇA deixadas pelo Mestre. De agora em diante, sua vida não seria mais a mesma.

CONCLUSÃO

Começamos este nosso estudo com uma cena potencialmente desanimadora, apresentando um homem cego e mendigo sentado à beira do caminho. Começamos com um mendigo e terminamos com um seguidor de Cristo. Começamos falando de uma multidão seguindo Jesus e terminamos com um homem restaurado seguindo Jesus.

Tudo isso aconteceu porque esse mesmo homem caminhou na direção de Cristo com humildade, coragem, fé e perseverança. Toda a história desse cego mendigo e morador de rua é narrada no evangelho de Marcos em apenas sete versículos. Seis versos são usados para montar um cenário e no sétimo encontramos as palavras de cura, o milagre e o discipulado.

Tudo aconteceu a caminho de Jerusalém. Nós também estamos a caminho de Jerusalém. No momento, estamos ainda em Jericó. Estamos passando por Jericó. Jericó era a cidade baixa e Jerusalém era a cidade alta (Lucas 10:30). Nossa meta não é ficar em Jericó, mas subir para Jerusalém. Nossa meta não é a Terra, é o Céu.

APELO: Esse episódio nos ajuda a entender que na vida daqueles que confiam em Jesus não há cotidiano sem milagres. A história de Bartimeu representa a história de todos quantos pisaram nessa Terra e viveram por algum tempo cegos até se encontrarem com Cristo, “a Luz do mundo”.

Se você ainda está assentado à beira do caminho, apegando-se a alguns bens da Terra, eu o convido a dar um salto de fé na direção do Salvador. Eu o convido a ser marcado por Seu poder transformador e experimentar o que é andar no “Caminho”.

Humildade, coragem e fé são os passos decisivos para quem quer receber a cura de Jesus e as MARCAS DE ESPERANÇA. Você está disposto a dar esses passos hoje?

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