segunda-feira, 25 de março de 2013

A Vocação de Natanael


João 1:15-34

 

OBJETIVO DO SERMÃO: Mostrar algumas dificuldades que ainda hoje impedem a maioria das pessoas de acharem o Salvador e de experimentarem os benefícios desse encontro.

INTRODUÇÃO:

Por que, quando Jesus esteve aqui na Terra, algumas pessoas manifestaram certa resistência para crer nEle? Havia todo um marketing profético, desenvolvido ao longo de muitos séculos, preparando a Sua chegada (Gênesis 49:10; Salmo 34:20; Isaías 7:14 e 9:6, 7; Miquéias 5:2).

No entanto, as Escrituras afirmam que Ele “veio para o que era Seu, e os Seus não O receberam” (João 1:11). O nome de Natanael consta na primeira lista de pessoas que manifestaram algum tipo de resistência quando foram apresentadas a Jesus.

I – JESUS É APRESENTADO A NATANAEL

Quem era Natanael antes de Jesus ser apresentado a ele? Um homem debaixo de uma figueira (verso 48).

Na Palestina dos dias de Jesus, a videira e a figueira eram as árvores geralmente escolhidas como lugar ideal para a oração (Miquéias 4:4; Zacarias 3:10) – e também símbolos de patriotismo. Era geralmente à sombra das figueiras que o povo apresentava a Deus suas angústias e sofrimentos.

Ali as pessoas tinham esperança de serem ouvidas e abençoadas. E você, onde apresenta a Deus suas angústias e sofrimentos?

Natanael tinha um amigo que já conhecia Jesus. Você tem algum amigo que já conhece Jesus? Filipe certamente conhecia o costume do amigo, por isso foi procurá-lo à sombra da figueira para anunciar “o seu achado”.

Pelo contexto bíblico, é possível imaginar que Filipe apresentou então Jesus a Natanael como o maior “achado” de sua vida. “Achamos Aquele de quem Moisés escreveu na Torá, e a quem se referiram os profetas: Jesus, o Nazareno, filho de José” (verso 45). Torá é uma palavra da língua hebraica que tem o seu significado associado ao ensinamento, instrução, ou especialmente à Lei, uma referência aos primeiros cinco livros da Bíblia hebraica atribuídos a Moisés.

A resposta de Natanael não revelou nenhuma empolgação: “De Nazaré pode sair alguma coisa boa?” (verso 46). Ainda hoje há pessoas que não se empolgam ao ouvir falar de Jesus.

Será que a apresentação que Filipe fez de Jesus a Natanael deixou algo a desejar? Talvez, pois há pessoas que apresentam Jesus com pouca empolgação. Mas a resposta de Natanael, além da falta de empolgação, revela certo preconceito.

Preconceito (prefixo pré- e conceito) é um “juízo” preconcebido, manifestado geralmente na forma de uma atitude “discriminatória” perante pessoas, lugares ou tradições considerados diferentes ou “estranhos”. De modo geral, preconceito é uma generalização superficial chamada “estereótipo”. Pela superficialidade ou pela estereotipia, o preconceito está classificado como um ato de injustiça.

Comportamentos preconceituosos são mais comuns em pessoas com baixa autoestima. Para essas pessoas o preconceito é usado como uma ferramenta de autoafirmação: as pessoas criam estereótipos e discriminam quem é diferente para melhorar a própria autoestima. Algo do tipo: “Não estou muito feliz com as minhas ações, então, vou pensar que aquela pessoa ali é pior do que eu.” E pronto: teoricamente, o indivíduo fica mais satisfeito na própria pele.

Além do preconceito, porém, há ainda uma ponta de sarcasmo na declaração de Natanael (sarcasmo, do grego antigo sarkasmos ou sarkázein; sarx = carne, asmo = queimar: “queimar a carne”, um tipo de zombaria intimamente ligada à ironia. (pt.wikipedia.org/wiki/Preconceito).

Como explicar o comportamente de Natanael? É difícil explicar o comportamento das pessoas. Nosso comportamento está relacionado a uma série de fatores, internos e externos. No caso de Natanael, esse preconceito pode estar ligado a um fator externo. Ele era natural de Caná da Galiléia, pequena aldeia que ficava entre 6 ou 14 quilometros de Nazaré. Sem dúvida, ele conhecia a má reputação dessa aldeia (Cf. João 21:2 e E.G. White, Mensagens aos Jovens, p. 78).

Foi assim que Jesus encontrou Natanael, um homem aflito, teimoso, com baixa autoestima, curioso, preconceituoso, sarcástico e irônico. E quanto a você, como Jesus o encontraria hoje?

II – JESUS APRESENTA-SE A NATANAEL

Para levar Natanael a Jesus, Filipe usou um método objetivo: “Vinde e vede”. Realmente, muitas palavras não funcionariam com Natanael. Filipe reconheceu que se encontrar com Jesus frente a frente seria o método mais efetivo para convencer o amigo, em vez de utilizar um longo argumento.

O mesmo acontece em nossos dias. A única forma de promover a verdadeira fé em Cristo é levar as pessoas a experimentá-Lo, ir ao Seu encontro e vê-Lo. Jesus apresentou-Se a Natanael mostrando que já o conhecia: “Eis um verdadeiro israelita, em quem não há dolo!” (verso 47).

O escritor e pregador H. S. Vigeveno faz o seguinte comentário sobre esse momento: “Se Filipe estivesse perto nessa hora, teria dito: “Por que será que Ele tem uma opinião tão elevada a seu respeito? Se Ele ao menos suspeitasse a opinião que você tem a respeito dEle!” (Treze Homens que Mudaram o Mundo, 1976, p. 16).

Jesus sabia da opinião que Natanael tinha a respeito dEle. Jesus sempre sabe qual é a nossa opinião a respeito dEle, mas, a opinião dEle a nosso respeito está escrita em Jeremias 29:11-13). Natanael pensou que era um homem sozinho debaixo da figueira. Jesus lhe disse: “...Eu te vi, quando estavas debaixo da figueira” (verso 48). Em outras palavras, Jesus estava dizendo: “Eu estava lá contigo, Eu ouvi as suas queixas, Eu conheço as suas lutas; deixe-Me ajudá-lo.”

“Se Natanael houvesse confiado na direção dos rabis, nunca haveria encontrado Jesus. Foi vendo e julgando por si mesmo que se tornou discípulo. Assim acontece com muitos hoje em dia, a quem o preconceito impede de aceitar o bem. Quão diverso seria o resultado, viessem eles e vissem!” (E. G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 140, 141). “Enquanto confiar na guia da autoridade humana, ninguém chegará a um salvador conhecimento da verdade. Como Natanael, necessitamos estudar por nós mesmos a Palavra de Deus e orar pela iluminação do Espírito Santo. Aquele que viu Natanael debaixo da figueira, ver-nos-á no lugar secreto de oração. Anjos do mundo da luz acham-se ao pé daqueles que, em humildade, buscam a guia divina” (Ibid., 141).

Natanael era sincero. A falta de sinceridade tem afastado muitas pessoas de Jesus. A sinceridade moveu os lábios de Natanael a proferir uma das mais lindas confissões de fé: “Mestre, Tu és o Filho de Deus, Tu és o Rei de Israel” (verso 49). Depois dessa confissão de fé, Jesus profetizou sobre a sua vocação: “Pois maiores coisas do que estas verás” (verso 50). A maior surpresa da vida de Natanael foi descobrir que Jesus já o conhecia. Essa certeza moveu sua vocação até o fim de sua vida. Essa certeza fez com que a vocação de Natanael fosse apresentar aos outros o mesmo Jesus que a ele Se apresentou.

III – NATANAEL APRESENTA JESUS

Natanael é o precursor de todos os homens que têm sede de encontrar Jesus. Depois desse encontro, Natanael viveu para apresentar Jesus aos outros. Você deve estar se perguntando: “Mas onde está o relato da vocação de Natanael na Bíblia?”

Natanael é um nome que aparece exclusivamente no evangelho de João, e assim mesmo em apenas duas ocasiões: no primeiro capítulo (João 1:45-51), onde se vê sua vocação, e, timidamente, no último capítulo (João 21:2). Alguns afirmam que seu nome não aparece na lista dos discípulos de Jesus, mas isso não parece ser verdade, pois o que lemos em João 21:2 mostra exatamente o contrário. “É comum identificar a Natanael com Bartolomeu” (Marcos 3:18, citado no Comentario Bíblico Adventista, v. 5, p. 888, edição em espanhol). Vigeveno diz ainda o seguinte sobre esse assunto: “Nos evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas, o nome dele não é Natanael, mas Bartolomeu” (H. S. Vigeveno, 1976, Treze Homens Que Mudaram o Mundo, p. 14).

Sobre essa questão, o escritor britânico John D. Davis, em seu livro O Apóstolo de Jesus, p. 75, esclarece: “Nada havia de incomum no fato de um apóstolo possuir dois nomes. Simão era também chamado Pedro, Levi era conhecido na igreja como Mateus, e outro dentre os doze se regozijava em ser conhecido por três nomes: Lebeu, Tadeu e Judas! Não há, portanto, a priori, qualquer improbabilidade quanto à sugestão de que o sexto apóstolo, de igual modo, possuísse dois nomes, especialmente quando lembramos que Bartolomeu (BarTholmai), assim como Bar-Jonas, tratava-se apenas de um nome patronímico ou, ainda, de um sobrenome.”

Sobre o ministério de Natanael, Ellen White, diz o seguinte: “Com a vocação de João, André, e Simão, Filipe e Natanael, começou o fundamento da igreja cristã” (E. G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 141). “A região da Ásia Menor, atual Turquia, é apontada de forma enfática pela tradição como um dos palcos de maior atuação do apóstolo Bartolomeu em suas lides missionárias” (Aramis C. de Barros, 2006, Doze Homens, Uma Missão, p. 90). Eusébio de Cesareia, autor cristão do quarto século, afirma que Bartolomeu Natanael trabalhou em Hierápolis, Licaônia, Cilícia, Derbe, Icônio, Listra e na Índia. (Ibid. p. 93, 94).

Segundo muitos historiadores, a maior parte do ministério de Bartolomeu foi na Armênia, onde foi martirizado e seus restos mortais foram transportados para a Mesopotâmia. (Ibid., p. 106). H. S. Vigeveno diz o seguinte sobre a conclusão do seu ministério: “Presume-se que ele foi morto a chicotadas. Seu corpo foi colocado dentro de um saco, o qual foi atado e depois lançado ao mar. Entretanto, a maneira como ele morreu não importa, pois, de acordo com as palavras de Cristo, Natanael Bartolomeu veria ‘grandes coisas’; e ele as viu” (Treze Homens que Mudaram o Mundo, 1976, p. 14).

CONCLUSÃO:

Ao final deste estudo, queremos destacar o conteúdo dos dois últimos versos (50 e 51). Verso 50: “Pois maiores coisas do que estas verás.” Que maiores coisas seriam essas? O Comentario Bíblico Adventista define: “Jesus aqui Se refere às muitas provas convincentes de Sua divindade que Natanael haveria de receber durante sua relação com Cristo” (volume 5, p. 889, edição em espanhol).

Verso 51: “‘E acrescentou: Em verdade, em verdade vos digo que vereis o Céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem.’ Com esta figura de linguagem, Jesus descreve o Seu próprio ministério em favor da humanidade” (Idem).

Os comentaristas, de modo geral, admitem que nessa frase Jesus esteja fazendo referência ou alusão à escada de Jacó (Gênesis 28:12). Ao fazer um contraste entre Jacó e Natanael, Jesus estaria dizendo: “O que Jacó viu apenas em sonho, você contemplará como uma realidade viva” (Novo Testamento Interpretado, v. 2, p. 292). Após a crucifixão, Natanael entendeu que Jesus era a escada para o Céu.

Jesus marcou a vida de Natanael com MARCAS DE ESPERANÇA, pois livrou-o de seus preconceitos e Se apresentou a ele como a escada que lhe dava acesso direto ao Céu. Por ocasião da volta de Jesus, Natanael verá a última parte desta profecia: “Pois maiores coisas do que estas verás.”

Entretanto, Natanael não é o único que recebeu a promessa de que “maiores coisas do que estas verás”. Todo aquele que recebe em seu coração as MARCAS DE ESPERANÇA impressas pelo sacrifício de Cristo verá maiores coisas em sua vida. Verá as grandezas que Jesus tem preparado para aqueles que Lhe são fiéis.

APELO:

Você também está disposto a pedir que Jesus marque toda a sua vida com as MARCAS DE ESPERANÇA?

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