quarta-feira, 27 de março de 2013

As Oportunidades de Judas


 João 13:21-30



OBJETIVO DO SERMÃO: Mostrar que ainda hoje corremos o risco de desprezar as oportunidades que Jesus nos oferece.

INTRODUÇÃO:

Hoje vamos começar com duas perguntas:

1. O que é oportunidade? (tente definir oportunidade com as pessoas que estão ao seu lado).

• William A. Ward, um pastor americano, definiu assim: “A oportunidade é como o nascer do Sol; se você esperar demais, vai perdê-la”.
• François Rabelais, escritor francês, disse o seguinte: “Conheço muitos que não quiseram quando deviam e quiseram quando não podiam.”

2. Vejamos agora a segunda pergunta: Você conhece alguém registrado com o nome de Judas?

• H. S. Vigeveno, em seu livro, Treze homens que mudaram o mundo, à página 35, faz o seguinte comentário: “A verdade, porém, é que poderíamos topar com Judas em qualquer lugar, ou fazer negócios com ele diariamente. Ele pode até estar ao nosso lado na igreja. Ele era um dos apóstolos.”

• O Rev. G. Campbell Morgan, grande comentarista das Escrituras, nascido na Inglaterra e já falecido, fez a seguinte afirmação sobre Judas:
“Não creio que Judas fosse um homem comum. Ele era um demônio encarnado em um homem, que veio ao mundo para praticar o ato mais nefando possível, um ato infernal” (Idem).

Eu discordo dessa afirmação. Essa descrição de Judas não aparece nas Escrituras. Com isso eu não quero que vocês pensem que estou defendendo Judas, embora tenha havido muitas tentativas nesse sentido.

Uma das primeiras foi feita por De Quincy, há cerca de cem anos, e uma das últimas, pelo escritor grego Kazantzakis. Ele afirma que “Judas foi um discípulo leal, que se sentiu chamado a entregar Jesus às autoridades para que Ele pudesse Se manifestar como o Messias” (Idem).

A verdade é que Judas não é nem santo, nem demônio; não é vilão nem herói. Simplesmente, ele é um homem que desperdiçou as melhores oportunidades da vida.

I – A PRIMEIRA OPORTUNIDADE DE JUDAS

Sem dúvida alguma, a primeira oportunidade de Judas ocorreu no momento em que Jesus escolheu Seus doze discípulos.

A escritora Ellen G. White faz o seguinte comentário sobre esse momento: “Enquanto Jesus estava preparando os discípulos para sua ordenação, um que não fora chamado se esforçou para ser contado entre eles. Foi Judas Iscariotes, que professava ser seguidor de Cristo.

Adiantou-se então, solicitando um lugar nesse círculo mais íntimo de discípulos. Com grande veemência e aparente sinceridade, declarou: ‘Senhor, seguir-Te-ei para onde quer que fores.’ Jesus nem o repeliu, nem o acolheu, mas proferiu apenas as palavras: ‘As raposas têm covis, e as aves do céu ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça’ (Mateus 8:19, 20). Judas acreditava que Jesus fosse o Messias; e, ao unir-se aos discípulos, esperava assegurar para si alta posição no novo reino. Essa esperança quis Jesus tirar com a declaração de Sua pobreza.” (O Desejado de Todas as Nações, 1990, p. 293).

A autora supracitada continua descrevendo esse momento com singularidade: “Os discípulos estavam ansiosos para que Judas fosse contado entre eles. Tinha imponente aparência, era dotado de perspicácia e habilidade executiva, e eles o recomendaram a Jesus como pessoa que Lhe seria de grande utilidade na obra. Surpreenderam-se de que o recebesse tão friamente.

“Os discípulos tinham ficado muito decepcionados de que Jesus não houvesse buscado obter cooperação dos guias de Israel. Achavam que era erro não consolidar Sua causa com o apoio desses homens de influência.

Houvesse Ele repelido a Judas, e teriam em seu íntimo, posto em dúvida a sabedoria do mestre. A história posterior de Judas revelar-lhes- -ia o perigo de permitir qualquer consideração mundana influir no julgar a capacidade de homens para a obra de Deus. A cooperação de homens como os que os discípulos estavam ansiosos por conseguir teria entregado a obra nas mãos dos piores inimigos.

“Todavia, quando Judas se uniu aos discípulos, não era insensível à beleza do caráter de Cristo. Sentia a influência daquele poder divino que atraía almas ao Salvador. Aquele que não viera quebrar a cana trilhada nem apagar o fumegante pavio, não repeliria essa alma enquanto nela houvesse um único desejo que a atraísse para a luz. O Salvador lia o coração de Judas; sabia as profundezas da iniquidade a que, se o não livrasse a graça de Deus, havia ele de imergir. Ligando a Si esse homem, colocou-o numa posição em que poderia ser dia a dia posto em contato com as torrentes de Seu próprio abnegado amor. Abrisse ele o coração a Cristo, e a graça divina baniria o demônio do egoísmo, e mesmo Judas se poderia tornar um súdito do Reino de Deus.

“Deus toma os homens tais como são, com os elementos humanos do seu caráter, e os prepara para Seu serviço, caso queiram ser disciplinados e dEle aprender. Não são escolhidos por serem perfeitos, mas apesar de suas imperfeições, para que, pelo conhecimento e observância da verdade, mediante a graça de Cristo, se possam transformar à Sua imagem” (Idem).

“Judas teve as mesmas oportunidades que os outros discípulos. Escutou as mesmas preciosas lições. Mas a observância da verdade, exigida por Cristo, estava em desarmonia com os desejos e desígnios de Judas, e este não queria ceder suas ideias a fim de receber sabedoria do Céu” (Ibid., 294, 295).

Embora Cristo não o tenha escolhido voluntariamente, aceitou-o para fazer parte do Seu grupo, e assim deu-lhe a primeira oportunidade de mudar de caráter.

II – A SEGUNDA OPORTUNIDADE DE JUDAS

A segunda oportunidade de Judas, logo após ser aceito no grupo dos discípulos, durou bastante tempo, aproximadamente o tempo que durou o ministério de Cristo aqui na Terra. Durante cerca de três anos e meio, Judas conviveu com Cristo todos os dias. É fácil perceber nos evangelhos o que a escritora Ellen G. White comenta sobre esse tempo de oportunidade oferecido a Judas.

“Quão ternamente tratou o Salvador aquele que havia de ser Seu traidor! Em Seus ensinos, demorava-Se sobre os princípios de generosidade que feriam pela raiz a cobiça. Apresentava diante de Judas o odioso caráter da ganância, e muitas vezes compreendeu o discípulo que seu caráter fora descrito, apontado seu pecado; mas não queria confessar e abandonar sua injustiça. Era cheio de presunção e, em lugar de resistir à tentação, continuava em suas práticas fraudulentas. Cristo estava diante dele, exemplo vivo do que se devia tornar, caso colhesse o benefício da mediação e ministérios divinos; mas lição após lição caiu desatendida aos ouvidos de Judas.

“Jesus não lhe passou, por sua cobiça, nenhuma repreensão de molde a ferir, mas com divina paciência lidou com esse homem faltoso, mesmo quando lhe demonstrava que lia em seu coração como num livro aberto. Apresentou-lhe os mais altos incentivos para proceder retamente; e, rejeitando a luz do Céu, Judas não teria desculpa.

“Ao invés de andar na luz, Judas preferiu conservar seus defeitos. Maus desejos, vingativas paixões, sombrios e malévolos pensamentos eram nutridos, até que Satanás tomou inteiro domínio sobre o homem. Judas tornou-se um representante do inimigo de Cristo” (Ibid., 295). Dessa maneira, ele rejeitou sua segunda oportunidade, o tempo que lhe fora concedido ao lado do Mestre.

III – AS ÚLTIMAS OPORTUNIDADES DE JUDAS

As últimas oportunidades oferecidas a Judas apresentam-se na seguinte ordem:

1. Judas julga e condena Maria, a irmã de Lázaro, por seu gesto de devoção a Jesus (João 12:4-6).

2. Judas participa da Santa Ceia e Jesus lava os seus pés (João 13:5).

3. Jesus lê o seu coração e o denuncia de forma velada (João 13:18).

4. Jesus oferece a Judas o símbolo do seu próprio corpo como um convite para a salvação (João 13:26).

5. E no Jardim do Getsêmani, quando ele dá o beijo da traição, Jesus lhe faz o penúltimo apelo: “Amigo, para que vieste?” (Mateus 26:52).

6. A escritora Ellen G. White fala de outra oportunidade na sala do julgamento: “Convencido finalmente de que eram baldadas as suas súplicas, Judas lançou-se aos pés de Jesus, e reconhecendo-O como o Filho de Deus, ao mesmo tempo em que impetrava o perdão do seu pecado, instou com ele para que Se prevalecesse de Seu poder divino, desembaraçando-Se dos Seus inimigos. O Salvador não censurou Seu traidor. Sabia que Judas não se arrependera; a confissão era extorquida de sua alma culpada por um terrível sentimento de condenação e expectativa de juízo, mas não sentia profunda e sincera tristeza por haver traído o imaculado Filho de Deus e negado o Santo de Israel. Contudo, Jesus não lhe dirigiu palavra de condenação. Fitando-o compassivamente, disse: ‘Por causa desta hora Eu vim ao mundo’” (Vida de Jesus, 1987, p. 152).

Depois dessas seis últimas oportunidades desperdiçadas por Judas, a autora já citada conclui: “Judas saiu precipitadamente da sala gritando: ‘É tarde, é tarde!’ Sentia que não lhe era possível testemunhar a crucifixão de Jesus, e atormentado de remorso, foi e enforcou-se” (Idem).

CONCLUSÃO:

Jesus tinha muito a dizer a Judas, todos os dias. Judas escutou, mas não ouviu. As advertências, os apelos e a Palavra de Deus o alcançaram, mas nunca realmente tocaram seu coração. Ele se tornou um traidor, apesar dos apelos de Jesus. Judas morreu infeliz porque nunca deixou Jesus imprimir em seu coração as MARCAS DE ESPERANÇA.

E nós – você e eu? Temos ouvido Jesus? Sabemos o que devemos fazer? Estamos deixando que Ele nos transforme? Ou pensamos que estamos muito bem e continuamos a chamá-Lo “Senhor, Senhor”, mas não fazemos o que Ele diz? Esse foi um dos problemas de Judas. Vamos aproveitar esta semana para examinar o nosso coração? Há em nossa vida as MARCAS DE ESPERANÇA partilhadas por Jesus, ou em nosso coração há somente marcas de egoísmo e amor próprio que nos afastam de Cristo? O pior homem é aquele que, tendo as melhores oportunidades, não sabe aproveitá-las.

APELO:

Quando Jesus diz: “Um dentre vós Me trairá”, vamos fazer como os discípulos e perguntar: “Acaso sou eu, Mestre?” Reflita, mas não deixe o Sol se pôr sobre a oportunidade que Deus está lhe dando agora! Permita que Ele coloque em você as MARCAS DE ESPERANÇA!


0 comentários:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

COMPARTILHE

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More