sexta-feira, 29 de março de 2013

O Encontro com Simão Cireneu


Marcos 15:21



OBJETIVO DO SERMÃO: Mostrar que, de alguma forma, em algum tempo ou lugar, todos nós seremos confrontados com a mensagem da cruz e teremos que nos decidir a favor ou contra.

INTRODUÇÃO:

“O procedimento padrão na crucificação romana incluía açoites violentos na vítima antes que fosse levada ao local da execução. Os postes verticais permaneciam fixos no local porque seu uso era frequente, porém era costume a vítima ser obrigada a carregar a pesada viga transversal (patibulum) que depois seria amarrada ao poste para dar a forma de cruz ou de um “T” a que o condenado era pregado.

No caso de Jesus, o açoitamento deve ter provocado grande perda de sangue, deixando-O muito fraco. Ele estava fisicamente incapaz de carregar a viga tão longe. Os soldados, então, pegaram um transeunte e o obrigaram a tomar a cruz de Jesus e a carregá-la até o local da execução, do lado de fora da cidade” (Richard Bauckham e Trevor Hart, Ao Pé da Cruz, p. 71).

I – ANTES DO ENCONTRO

“A palestina era um território ocupado. Soldados romanos obrigando judeus comuns, inocentes, a fazer o que eles queriam, era parte da desagradável realidade diária num governo estrangeiro opressor. No Império Romano, as crucificações eram frequentes e em nenhum outro lugar eram mais frequentes do que na Palestina judia. A resistência judaica às imposições do governo era exatamente o tipo de crime para o qual aquela punição bárbara havia sido planejada” (Idem).

Vocês se recordam de que, certa vez, os líderes judeus tentaram envolver Jesus numa situação que poderia caracterizar resistência às imposições do governo romano? (Mateus 22:17-22).

Tivesse Jesus dito alguma coisa contra o pagamento dos impostos, e os líderes judeus apresentariam essa acusação contra Ele nos tribunais romanos para que fosse executado como um rebelde político.

“Havia apenas 30 anos, cerca de dois mil judeus tinham sido crucificados ao mesmo tempo, fora de Jerusalém, e a partir de então muitos mais receberam o mesmo castigo. Pela crucificação frequente de criminosos, escravos, dissidentes e rebeldes, a brutal realidade do poder romano era deliberadamente empurrada garganta abaixo aos seus súditos” (Ibid., p. 75).

Um dado curioso sobre a crucificação é que, embora fosse um fato comum naqueles dias, a literatura contemporânea geralmente se refere a esse ato cruel apenas de passagem. Por que tantos autores antigos, que tiveram a oportunidade de fazer menção ao fato, evitam mencioná-lo? Há dois motivos para isso que nos podem ajudar a inserir a crucificação de Jesus no contexto.

O primeiro: “Para a maioria dos intelectuais e pessoas cultas que escreveram a literatura da antiguidade, a crucificação era um procedimento hediondo demais para ser tratado mais detidamente. Tratava- -se de uma forma de execução planejada para ser a mais dolorosa possível: uma forma excruciante e lenta de morte por exposição e asfixia, e os detalhes finais da execução eram improvisados com sadismo pelos executores” (Idem).

“A crucificação era uma tortura vil. Todos reconheciam isso pela simples observação. Por isso as pessoas cultas não queriam escrever sobre ela. Era aceita como um fator inibidor, indispensável para manutenção do poderio romano. Dar-lhe muita atenção poderia desfigurar a imagem generosa que o governo romano desejava passar” (Ibid., p. 76).

O segundo motivo “pelo qual a literatura clássica raramente se detém para comentá-la é que os crucificados não tinham expressão na sociedade. Pessoas importantes, cidadãos romanos, a elite social, não podiam ser crucificadas. A crucificação era uma pena especial para crimes contra o estado, rebelião de escravos e para criminosos” (Idem).

Dá para entender agora por que Paulo diz: “Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro”? (Gálatas 3:13). O bendito Filho de Deus se fez maldito para que os malditos filhos do pecado se tornassem benditos. O pecado nos fez malditos, mas a graça de Deus, por meio de Jesus Cristo, nos torna benditos.

Um resumo de tudo quanto foi apresentado é o seguinte: Roma usava a crucificação para manter a paz, a segurança e a ordem. Você consegue lembrar agora do que disse o profeta Isaías sobre o modo como Jesus nos devolveu a paz? (Isaías 53:5).

Você consegue perceber agora por que a mensagem do evangelho de Jesus, o Deus crucificado, mostrou-se tão ofensiva para o mundo romano e para várias civilizações? Era um Deus que foi executado como um rebelde político ou um fora da lei? Um Deus que foi uma daquelas vítimas irrelevantes que deveriam ser esquecidas?

Para a sociedade romana, as vítimas da crucificação deveriam ser completamente esquecidas. O fato, porém, é que Jesus continua sendo lembrado. A história de Sua crucificação continua sendo contada até hoje. “Durante dois séculos, a sociedade romana tentou suprimir a lembrança desse Homem crucificado, como fez com todos os outros, mas, nesse caso, não conseguiu” (Ibid., p. 78).

Enquanto esteve na Terra, Jesus recrutou várias testemunhas, e quando Ele morreu, essas testemunhas não deixaram as MARCAS DE ESPERANÇA reveladas na cruz serem esquecidas.

O tema de hoje se propõe a apresentar exatamente uma dessas testemunhas.

II – O ENCONTRO

O encontro com Jesus ainda hoje continua mudando a vida das pessoas. Não importam as circunstâncias, o lugar ou as condições.

Todos nós precisamos nos encontrar com Cristo um dia. Do contrário, a vida não valerá a pena.

A Bíblia não nos oferece muitas informações sobre o encontro de Simão Cireneu com Jesus. Sabemos, no entanto, que ele se encontrou com Jesus no exato momento em que Jesus mais precisava dele. Ou será que foi o contrário?

O relato nos ajuda a entender que Simão já tinha dois filhos cristãos (Marcos 15:21). Ele, no entanto, parece que não era cristão. É fácil perceber que Simão Cireneu foi arrastado para o caminho da cruz contra a sua vontade. Ele nem sequer estava no meio da multidão que ia assistir à crucificação naquele dia; seguia em outra direção. Ele estivera no campo, talvez trabalhando durante o dia, e voltava para casa em Jerusalém. Talvez nem soubesse o que estava acontecendo.

Sabemos pouco com respeito ao próprio Simão. Tudo que sabemos sobre ele aparece em um único versículo. O termo “Cireneu” indica provavelmente a sua origem. Ele era originário de Cirene, uma cidade localizada no litoral norte da África, na atual Líbia. Como viera da África, alguns gostam de imaginar que ele era negro.

Seu encontro com Cristo nos parece acidental. O texto bíblico diz que ele foi obrigado a carregar a cruz de Cristo. Provavelmente tenha chegado tão perto para ver o que estava acontecendo que ficou exposto aos soldados romanos. A impossibilidade de Cristo carregar a cruz estava atrasando a marcha para o Calvário. Jesus, muito enfraquecido, já havia desmaiado duas vezes. Os soldados perceberam que Ele iria morrer por exaustão, a caminho do lugar de sacrifício, se O continuassem forçando. Como a um soldado romano não era permitido ajudar um condenado à cruz, e não havia nenhum discípulo ali para ajudá-lo, além do que, os líderes judeus pouco estavam se importando com o sofrimento de Jesus, só restava uma opção: obrigar alguém a fazer o que Jesus não podia fazer.

Mas por que Simão Cireneu? Foi coincidência ou providência? A escritora Ellen G. White faz o seguinte comentário sobre esse episódio: “Por essa ocasião um estranho, Simão, Cireneu, chegando do campo, encontra-se com o cortejo. Ouve as chufas e os baixos ditos da turba; ouve as palavras desdenhosamente repetidas: ‘Abri caminho para o Rei dos judeus!’ Detém-se espantado com a cena; e, ao exprimir ele compaixão, agarram-no e lhe põem nos ombros a cruz” (O Desejado de Todas as Nações,1990, p. 742).

Esse foi certamente o início da caminhada de Simão com Jesus. Ele foi marcado com o sangue do Cordeiro. Ele esteve diante desse cenário até o fim. Ouviu os protestos da natureza, viu os homens Lhe negarem água, viu o cuidado que Jesus manifestou por Sua mãe, viu Jesus perdoar um dos ladrões, viu Jesus perdoar os Seus algozes, e, por fim, viu Jesus exclamar: “Está consumado” e entregar ao Pai o Seu espírito. Certamente, quem passou por tudo isso, nunca mais seria o mesmo.

III – O PÓS-ENCONTRO

Richard e Trevor, falam o seguinte sobre os benefícios desse encontro na vida de Simão Cireneu: “Assim, o envolvimento acidental de Simão com Jesus – obrigado a carregar a cruz contra sua vontade – de alguma forma faz dele um discípulo, embora não o tenha sido anteriormente” (Richard Bauckham e Trevor Hart, Ao Pé da Cruz, p. 74).

Ellen White faz o seguinte comentário: “Simão ouvira falar de Jesus. Seus filhos criam no Salvador, mas ele próprio não era discípulo. O conduzir a cruz ao Calvário foi-lhe uma bênção e, posteriormente mostrou- -se sempre grato por essa providência. Isso o levou a tomar sobre si a cruz de Cristo por sua própria escolha, suportando-lhe sempre animosamente o peso” (O Desejado de Todas as Nações, 1990, p. 742).

Em outro dos seus livros, Ellen White comenta: “Mais tarde, Simão sentiu-se grato pelo privilégio que lhe coubera de levar a cruz do Salvador, a qual se havia tornado o meio de sua conversão. As cenas que se desenrolaram no Calvário e as palavras que Jesus ali proferiu induziram Simão a reconhecê-Lo como o Filho de Deus” (Vida de Jesus, 1987, p. 175).

Norman R. Champlin, em seu comentário, diz que Simão “provavelmente veio a tornar-se cristão, porquanto seus filhos, Alexandre e Rufo, eram membros bem conhecidos da igreja” (O Novo Testamento Interpretado, Versículo por Versículo, v. 1, p. 630).

Com certeza, Simão passou a enxergar em Jesus não apenas mais uma vítima de Roma ou mais um herói da resistência judaica, mas Aquele que trouxe o amor de Deus para os torturados e também para os torturadores. Simão entendeu que Jesus encaminhou-Se voluntariamente para a cruz, não porque fosse um suicida, mas porque esse foi o preço estipulado por Deus para salvar a raça humana. Simão entendeu que a morte de Jesus representa a solidariedade amorosa de Deus por toda raça humana e que o único caminho para o Céu passa pela cruz.

CONCLUSÃO

Sem saber, os soldados romanos empurraram Simão para Jesus. Num encontro que não tinha sido agendado e nem planejado, Simão recebeu a maior de todas as bênçãos. O que teria sido a vida de Simão sem esse encontro? Esse foi o encontro da mudança. Ao longo do Seu ministério, Jesus mudou a vida de muitas pessoas.

O evangelho de Cristo pode ser chamado de o Evangelho do Encontro. Um evangelho que gera as MARCAS DE ESPERANÇA – o evangelho da mudança.

APELO:

Eu sei que você hoje não agendou um encontro com Jesus, mas Ele agendou esse encontro com você. Você quer dizer agora: “Senhor Jesus, eu hoje Te encontrei e nunca mais vou me separar de Ti”?

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