quinta-feira, 11 de julho de 2013

Oração: a força vital do reavivamento


Introdução:

Quantas orações você já fez? Orou para poder se casar com a pessoa “certa”. Ou em favor de um filho adolescente que se afastou da mensagem adventista. Pediu por coisas específicas: sucesso no vestibular, dinheiro para pagar dívidas, vencer os traumas da infância. Agradeceu por motivos diversos: pelo livramento em um acidente, pela recuperação da saúde, pelo emprego conseguido.

Por que oramos? Após pregar em um de nossos internatos há alguns anos, um menino me procurou. Ele queria saber qual o sentido de orar. “Não seria um comportamento esquizofrênico ‘falar sozinho’?”, foi sua indagação, repetida como um mantra cético. Quem nunca teve a impressão de que sua oração não era ouvida, que fazia algo à toa, sem propósito?

Provavelmente, nossas orações estejam aquém do que deveriam. Lembro-me de quando minha mãe espionava a agenda de meu irmão na adolescência. Uma vez que ele não contava sobre sua vida, mamãe passou a investigar a
s coisas a maneira dela. Semelhantemente, parece que temos nos comunicado pouco com Deus. Falado em casos de urgência, mas sem compartilhar o que vai no coração. Seríamos, como adolescentes rebeldes, avessos ao controle paterno? Se não recuperarmos o sentido de oração – passar tempo com um Amigo precioso – estaremos repetindo exercícios mecânicos. E repetindo sem chegar a resultado algum!

Mais do que lembrar de tudo o que o Senhor já fez por nós, é chegado o momento de uma nova experiência. Algo mais profundo. Orar tem de representar um abandono da superfície. Afinal, somente a verdadeira busca pode ser recompensada. Jesus nos assegurou: “Se vocês, apesar de serem maus, sabem dar boas coisas aos seus filhos, quanto mais o Pai de vocês, que está nos céus, dará coisas boas aos que lhe pedirem!” (Mt. 7:11, NVI). Se Ele prometeu, compensa irmos adiante e redobrar nosso fervor.

Mateus 7:11

Oração e reavivamento em Atos Um dos casos mais instrutivos sobre reavivamento se acha registrado em 1 Samuel 7. Aculturados, os israelitas seguiam práticas cananeias, o que incluía a adoração aos deuses das nações vizinhas. A situação, que perdurou durante o livro de Juízes, chegou ao ápice quando os filisteus roubaram a arca da aliança, símbolo da presença divina (1 Sm. 4: 10-11).

Samuel liderou o povo, desanimado e ainda sob o efeito de perdas humanas, a um novo encontro com Deus. Décadas se passaram e o trabalho contínuo de Samuel finalmente surtiu efeito: os inimigos foram vencidos e a vitória comemorada como um favor divino (1 Sm. 7:10-13).

Esse exemplo ilustra o fato de que Deus abençoa Seu povo à medida em que ele responde à direção do Céu. No livro de Atos, não é diferente. Obviamente, o contexto cultural mudou. Não vemos mais os primeiros cristãos envolvidos em guerras contra outros povos, da forma como o Antigo Testamento retrata. Guerras com caráter religioso foram resultado de revelação especial dentro das circunstâncias históricas específicas de Israel. Agora, a guerra era outra (cf. Ef. 6:12). E, se no passado a comunhão com Deus era decisiva em caso de conflitos, muito mais agora.

Os testemunhos revelam a necessidade que os apóstolos possuíam de serem capacitados pelo poder do Espírito Santo. “A obra comissionada aos discípulos iria requerer grande eficiência, porque a onda do mal corria profunda e forte contra eles. Um vigilante e determinado líder estava no comando das forças das trevas, e os seguidores de Cristo somente poderiam batalhar pelo direito com o auxílio que Deus, pelo Seu Espírito, lhes daria.” (Ellen G. White, Atos dos Apóstolos, p. 31). Toda geração possui suas lutas. Para cada momento da história, Deus Se acha interessado no sucesso espiritual de Seu povo – o que, em última análise, está relacionado com cada aspecto da vida. No livro de Atos, encontramos a igreja vivendo em comunhão plena (At. 1:14; 2:42-47; 4:32-35; 5:41-42; 13:1-3).

No mundo contemporâneo, há outros desafios. O contexto mudou novamente, porém, precisamos redescobrir a importância da oração, algo que marcou a igreja em seu nascimento (At 1:4, 8, 14; 2:42; 4:31, 33; 6:3, 4).

A vida de oração de Jesus

Evidentemente, a ênfase na oração não teve início com a igreja dos apóstolos; antes deles Jesus já havia demonstrado suficientemente a importância da prece. Aliás, os apóstolos se interessaram pela forma íntima como Jesus falava com o Pai (Lc. 11:1) – foi Seu exemplo que os motivou a levarem uma vida de oração.

As decisões importantes de Jesus não foram tomadas sem consultar a Deus (cf.: Jo. 17). Até em momentos quando Seus milagres causavam grande impacto sobre as massas, Jesus subitamente Se isolava. Ele assim procedia para buscar a Deus na tranquilidade da oração (Mt. 14:22-23; Lc. 4:42).

Se Jesus, sendo quem era, priorizou a oração, quanto mais necessidade temos nós, pecadores, de fazer o mesmo! Por outro lado, temos de nos esforçar ainda mais, uma vez que, ao contrário do Mestre, nossa inclinação humana repele as coisas espirituais. É exagero dizer que quando nos entregamos a Cristo a comunhão se torna natural ou que passa a ser algo consequente. Estamos em uma luta espiritual (1 Co. 9:27). A semelhança com Jesus é uma busca que durará a vida inteira (Fl. 3:12-14).

Orando juntos

O exemplo de Jesus inclui, além dos momentos a sós com Deus, orações realizadas em grupo. O Salvador não apenas incentivou a prática, como garantiu que ela seria recompensada (Mt. 18:19-20). O texto merece ser cuidadosamente analisado. Jesus trata nessa seção do evangelho a respeito de como agir com o irmão em erro. A seguir, ele enfatiza que sua igreja tem o poder de se conectar diretamente com o Céu (v. 18). Decisões tomadas pelo corpo de Cristo não são decisões meramente humanas, mas de consequência eterna. Há um reflexo no Céu quando a igreja, ao pregar o evangelho, “liga” as pessoas (que aceitam a mensagem) a Deus; de modo similar, quando a disciplina eclesiástica é exercida, alguém é “desligado no Céu”.

Essa dinâmica fornece a chave para a compreensão dos versos 19 a 20. Não é qualquer coisa, portanto, que os discípulos venham a pedir que será atendido pelo Senhor de forma indiscriminada. Somente quando a igreja concorda em assuntos espirituais, mantendo sua unidade, Deus a atende. A esse respeito, Jesus declarou “Se vocês permanecerem em mim, e as minhas palavras permanecerem em vocês, pedirão o que quiserem, e lhes será concedido.” (João 15:7, NVI).

Um exemplo de como Deus atende a oração da igreja unida é visto na ocasião da prisão de Pedro. Após sair miraculosamente da cadeia, ele se dirige a um lar onde acontecia uma reunião de oração em prol de sua situação (At. 12:12)!

Nossa liberdade

Já observamos que estamos em uma batalha espiritual. Temos de recorrer a armas espirituais (2 Co. 10:3). Sem elas, nossos esforços seriam tão inadequados quando usar chutes durante uma luta de judô – chutar é válido na karatê e Kung Fu, mas não no judô! A adequação é imprescindível na luta espiritual (2 Co. 10:4). E que tipos de armas usamos? Embora o texto de 2 Coríntios 10 não as mencione, ele dá uma indicação da natureza dos recursos bélicos do cristão: “Destruímos argumentos e toda pretensão que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levamos cativo todo pensamento, para torná-lo obediente a Cristo.” (2 Co. 10:5, NVI).

Na luta espiritual, as armas do cristão envolvem persuasão suficiente para destruir “argumentos” contrários e levar “cativo todo pensamento”. No contexto, Paulo está defendendo sua maneira de trabalhar com os conflitos em Corinto. Ao invés de confronto direto movido por raiva, mágoa ou desejo de autoridade, ele prefere a persuasão, capaz de levar a mente de todos a se submeter a Jesus. Em outro texto, Paulo trata de aspectos complementares das armas espirituais, enfatizando mais o preparo individual (Ef. 6:10-18). São mencionados itens como verdade, justiça, evangelho da paz, fé, salvação, Palavra de Deus e oração. Somente dependendo de Deus e equipados para a batalha espiritual seremos verdadeiramente livres.

Oração eficaz

A Bíblia não apresenta apenas um modelo de oração ou uma postura física adequada. Existem vários tipos de oração, tanto individuais, quanto públicas. O mais importante não é o como, mas a comunhão entretida com o Pai

O texto bíblico mostra que os heróis do passado não diferiam de nós em essência. Pessoas comuns fizeram grandes feitos porque oraram com fé e Deus lhes respondeu com um sorriso satisfeito (Tg. 5:17-18). Significa que não temos de desanimar, imaginando que estamos um nível abaixo de gente como Elias, Paulo, Daniel ou Moisés. A Bíblia não esconde os erros dos gigantes espirituais para percebemos que eram “sujeitos as mesmas paixões que nós” (v.17). O segredo deles – e o nosso – está na oração.

Considerações finais

Diante do que vimos até aqui, fica claro que necessitamos de uma experiência mais vívida em nossa vida de oração. Os cristãos se notabilizaram ao incorporarem a comunhão na vida diária. Seguindo o exemplo de Jesus, eles se reuniam frequentemente para levar a Deus suas necessidades por meio da oração.

Na batalha espiritual, a oração é parte integrante de nosso armamento. Não podemos rotular um modelo de oração como sendo o único correto porque há vários outros modelos ao longo das escrituras. Vale mais nos concentrarmos na verdade de que seremos vitoriosos ao reconhecermos nossa dependência total do Senhor. Não quer você hoje reconhecer sua necessidade e diante da presença do Senhor suplicar pelo reavivamento?

Pr. Douglas Reis 
Formado em Teologia (Unasp campus II, 2002), capelão universitário do IAP, autor de três livros: Paixão Cega (2010), Marcados pelo futuro (2011) e Explosão Y: adventismo, pós-modernidade e gerações emergentes. (2013).

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